Uma vitória dedicada à honra de Jeová
“Clamaram: A espada de Jehovah e de Gideão! Conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial.”—Juí. 7:20, 21.
1. Quando, especialmente, é a sabedoria melhor do que as armas de guerra?
Jeová é Deus de guerra que não conhece derrota. Não existe nem sequer um só inimigo nem conjunto de conspiradores capazes de por no campo de batalha bastante força para igualar à dele. Nenhum adversário em todo o universo pode superá-lo como general em estratégia de guerra. Sua sabedoria é tão inigualável que ele pode derrotar exércitos poderosos com forças tão insignificantes que são ridículas. Graças a sua sabedoria em exceder os seus inimigos em manobras, ele não tem necessidade de recorrer ao seu poder todo-poderoso para ganhar vitórias. Quando vem do alto, “A sabedoria é melhor do que as armas de guerra”—Ecl. 9:18.
2. Por que podem as testemunhas de Jeová garantir que a sabedoria é melhor do que as armas ou a força?
2 Os cristãos genuínos conhecidos por testemunhas de Jeová podem confirmar essa verdade. Dirigidos pela sabedoria que vem do alto, a sua série de vitórias continua sem interrupção sobre as nações do mundo horrorizadas pelas recentíssimas armas de guerra. Eles podem aplicar a si as palavras de Paulo: “As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para demolição de fortalezas.” (Tia. 3:17, 2 Cor. 10:4) São capazes de sofrer as casualidades da batalha de oposição ao “presente mundo perverso” que “está no Maligno”, Satanás o Diabo; mas saem vitoriosos contra as perseguições e motins, prisões e proscrições governamentais, até triunfam sobre a execução das sentenças de morte, porque a sua obra de serviço prospera, os seus números amontoam, e lhes são garantidos os direitos à vida no novo mundo.(Gál. 1:4; 1 João 5:19 ; Apo. 2:10) Por isto honram a Deus, porque é a sua proteção e sabedoria orientadora que lhes traz a vitória. Ao disporem seu pequeno número em oposição ao mundo armado, apreciam as palavras de Eclesiastes 9:14-16: “Houve uma pequena cidade, e nela se achavam poucos homens; veio contra ela um grande rei, cercou-a e levantou contra ela grandes baluartes. Ora achou-se nela um homem pobre e sábio, que pela sua sabedoria livrou a cidade, contudo ninguém se lembrou mais daquele homem pobre. Então disse eu: A sabedoria é melhor do que a força.” O mundo lembra-se dos seus heróis de guerra; a sua preservação seria mais certa se não fizesse pouco caso da sabedoria que vem do alto e se esquecesse dela.—Ecl. 7:12.
3. Em que ponto reassumimos a consideração do drama que envolve Gideão e os trezentos? e qual é o resultado do seu reconhecimento?
3 O princípio que “a sabedoria é melhor do que as armas de guerra” acha justificação no drama profético que envolve a Gideão e seus trezentos guerreiros. Do nosso artigo precedente se recordará que tinham expulsado da mente o baalismo enlaçador, e expurgado o seu número de medrosos e preguiçosos egoístas. Portanto, com as fileiras reduzidas a meramente trezentos, eles enfrentaram uma força oponente de pelo menos 135.000 espadeiros do inimigo. A situação exigiu a estratégia. Em obediência à ordem de Jeová, Gideão faz uma viagem para reconhecimento nos arrabaldes do acampamento midianita, e escuta a conversa de dois dos inimigos. Um deles conta um sonho acerca dum pão de cevada torrado que rolava pelo acampamento dos midianitas e, chegando a uma tenda, a transtornou, e o outro interpreta: “Isso não é outra cousa senão a espada de Gideão, filho de Joash, homem israelita: nas mãos dele entregou Deus a Midian e a todo o arraial.” Gideão voltou ao seu acampamento e gritou: “Levantai-vos, pois Jehovah vos entregou nas mãos o arraial de Midian.”—Juí. 7:9-15.
4. Que aprendem os cristãos hodiernos por explorarem as posições do inimigo? e que ouvem eles às vezes da própria boca do inimigo?
4 Um pão de cevada torrado não é muito, mas virou uma tenda de cima para baixo. Os trezentos homens de Gideão foram superados grandemente em número, mas Deus lhes disse por meio deste sonho que derrotariam a Midiã. As hodiernas testemunhas ungidas são comparativamente poucas, mas Jeová abre-lhes os olhos para ver as fraquezas dos sistemas deste mundo. Ao reconhecerem os cristãos as posições do inimigo, discernem o falso estado das religiões da cristandade, a corrupção da sua política, a avareza do seu comércio, o desejo de poder que arde dentro do seu militarismo. Frequentemente se ouvem homens intimamente ligados aos assuntos do mundo lamentar o estado triste da religião, política, comércio e militarismo mundanos, todos os quais parecem desejar ardentemente uma terceira guerra mundial. Com suas próprias bocas se podem ouvir os inimigos mundanos condenar-se, e às vezes louvar as testemunhas de Jeová pela sua retidão como um grupo e pelo seu zelo como cristãos. Não que favorecem as testemunhas de Jeová, mas os fatos obrigam os lábios indispostos a fazer essas admissões e forçam a abrir os olhos para ver a escritura na parede. (Dan. 5:5, 25-28; Luc. 19:22) Assim como o sonho do midianita, um duplo sinal: da destruição para o inimigo e da libertação para o servo piedoso. “Em nada estais atemorizados pelos vossos adversários, o que para eles é uma prova de perdição, mas para vós de salvação, e isto da parte de Deus.”—Fil. 1:28.
A ESTRATÉGIA, E O ATAQUE
5. Como e com que equipamento desencadeia Gideão o ataque?
5 Levantem-se! Preparem-se para a batalha! Gideão volta do seu reconhecimento noturno e incita o seu pequeno bando ao zelo combatente. Divide a sua força em três companhias de cem homens cada uma, e os desdobra nas trevas da noite para ação. Destilam das alturas do monte Gilboa para baixo, uma linha silenciosa de figuras que finalmente circunda o acampamento dos midianitas adormecidos que se espalha no vale de Jezreel, a base do outeiro de Moré da banda do norte. Bem armados, estes trezentos? Não, não no sentido militar; provocariam risos de escárnio e ridículo de militaristas arrogantes. Cada qual tinha na mão uma trombeta e um cântaro vazio contendo uma tocha acesa. Cada um sabia as instruções, tinha o seu lugar designado na delgada linha que se estendia ao redor do acampamento, e olhava a posição de Gideão para o indício. Ao dado sinal cada qual tocou a trombeta com toda a força, despedaçou seu cântaro, segurou alto a tocha assim descoberta, e clamou, “A espada de Jehovah e de Gideão!”—Juí. 7:1, 15-20.
6, 7. Quão efetivo contra os midianitas foi este ataque dirigido de modo estranho?
6 Uma cena da mais louca confusão e terror desencadeou-se na hoste dos midianitas. O silêncio da noite profanado pelo som de trezentas trombetas, sua calma interrompida pelos gritos de trezentas gargantas, suas trevas penetradas pelas chamas misteriosas de trezentas tochas, e além de tudo isso a fuga em pânico do gado dos midianitas, o terror dos invasores enfraquecidos é compreensível. Os gritos e os toques rolaram através do acampamento para bater nos lados de Moré, somente para rebater-se acima da cena confusa e chocar-se no declive do monte Gilboa, e ao aumentar-se o ruído e retinirem os ecos, parecia que os próprios outeiros se despertaram e levantaram o grito contra Midiã. Os ecos retumbantes convergiram sobre o inimigo, e ao saírem cambaleantes de suas tendas seus olhos de sono dilataram-se assustados pelas chamas saltitantes que iluminavam figuras sombreadas e acendiam imaginações supersticiosas. Pensando que as trombetas eram as de um exército numeroso que tinha penetrado no seu acampamento, os midianitas supuseram que os seus inimigos estavam entre eles e viraram as espadas contra todos os que encontravam, contra o seu próprio número. Estavam confusos e aturdidos, precipitaram-se desnorteados, e aumentaram o barulho com seus gritos, até que endireitassem sua fuga desorientada e escapassem em direção aos vaus do Jordão e à sua própria terra. A guerra de nervos despedaçou-lhes o controle e eles atacaram-se uns aos outros antes de finalmente dispersarem-se em fuga precipitada. O medo contagioso estendeu-se feito praga, e o terror resultou na derrota. (Deu. 20:8) Jamais fora estratagema melhor ideado, melhor executado, nem mais vitorioso. Juízes 7:20-22 reza:
7 “As três companhias tocaram as trombetas, despedaçaram os cântaros, segurando com as mãos esquerdas as tochas e com as direitas as trombetas para as tocarem e clamarem: A espada de Jehovah e de Gideão! Conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial, que todo deitou a correr: gritaram, e puseram-nos em fuga. Tocaram as trezentas trombetas, e Jehovah fez voltar a espada de um contra outro, e contra todo o arraial, que fugiu.”