O caminho ainda mais excelente do amor
“E eu vou mostrarei um caminho ainda mais excelente.” — 1 Cor 12:31, Almeida.
1. A fim de viver eternamente a quem temos de amar, e por quê?
JEOVÁ tem um caminho que é o do amor. Por meio deste ele se enalteceu, e é pelo princípio de amor que ele dirige o universo. É um caminho excelente de governar todas as suas criaturas inteligentes. Em virtude deste caminho, ele mantem todas as suas fieis criaturas numa afinidade inquebrantável a si. Ele estabelece a norma do amor, e requer que todas as suas criaturas inteligentes o copiem. Só àqueles que assim fizerem se permitirá viver. Eles o tem de amar como merecedor da sua afeição e devoção completa, correspondendo destarte apropriadamente a seu grande amor para com eles. Precisam amar seus semelhantes exatamente como ele os ama. Deste modo são semelhantes a Deus. O amado Filho de Deus disse que os dois grandes mandamentos eram os seguintes: (1) “Amarás, pois, a Jeová teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” (2) “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Deu. 6:5 e Lev. 19:18; Mat. 22:37-40) Para que quaisquer de nós nos provemos dignos da vida eterna em qualquer parte do universo de Deus, temos de guardar estes mandamentos e seguir este caminho excelente do amor.
2, 3. Qual é a organização que experimentou mais amor de Deus? Por quê?
2 Não existe em toda a criação nenhuma organização que tem sentido mais este tenro atributo de Deus e tirado mais benefício dele do que a sua congregação ou igreja. Ainda que viesse a existir no primeiro século da nossa era comum, esta congregação ou igreja foi prefigurada muitos séculos antes pela congregação do antigo povo escolhido de Jeová, a nação de Israel. Ele lhes queria bem porque queria bem aos pais deles. O seu profeta Moisés disse à nação: “Porque amou a teus pais, e escolheu a sua semente depois deles,. . . porque Jeová vos amou, e porque guardou o juramento que fez a vossos pais, foi que vos tirou com mão poderosa, e vos remiu da casa de servidão.” —Deu. 4:36 e 7:8.
3 Somente um pequeno restante dessa nação favorecida provou-se digno de ser transferido à nova congregação ou igreja e formar o núcleo dela. A vontade de Deus para a nova organização de sua escolha era que fosse aperfeiçoada na sua devoção a ele e em todas as qualidades semelhantes a Deus, sobretudo na de amor. Por esta nova organização não queremos dizer a que se chama “Cristandade”, porque ela é tão pouco a organização dele como o resto do mundo do qual ela é a parte principal. Queremos dizer a verdadeira organização messiânica ou cristã, ou a “igreja de Deus”, instituída no primeiro século. Existe uma ampla diferença entre a Cristandade e a verdadeira congregação de Jeová Deus. A Cristandade jamais tem seguido o caminho de excelência, mas tem sido egoísta, cruel e mundana. Apesar de estar no meio da Cristandade a verdadeira igreja de Deus não faz parte dela, mas sinceramente tratou copiar Deus e seguir seu caminho excelente. Por causa da mundanalidade interesseira e cruel da Cristandade ela deixou de copiar Jeová Deus e ser uma bênção à humanidade e será destruída em breve na batalha do Armagedon. Mas a genuína igreja permanecerá para sempre em louvor a Jeová e para bênção de todos os homens de boa vontade.
4, 5. Como provou Deus que ele se tinha apossado da nova organização?
4 Não é fácil instituir uma nova organização e provar que Deus transferiu seu favor e bênção para ela após ter tratado exclusivamente com uma velha organização durante mais de mil e dezessete anos. De forma que, para provar que a recém estabelecida igreja cristã era então a sua congregação escolhida e a fim de ajudá-la a atravessar o período difícil da sua infância e a transferência do velho sistema de coisas para o novo, Jeová Deus fez uma manifestação especial de seu espírito ou força ativa sobre a nova organização de seu povo dedicado, os seguidores do Messias, Jesus Cristo.
5 Cerca de nove séculos antes dos últimos dias da velha e os dias iniciais da nova, Deus tinha inspirado Joel para profetizar acerca desta operação espetacular da força divina sobre a igreja cristã, dizendo: “Acontecerá depois que derramarei o meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos sonharão, terão visões vossos mancebos, também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu espírito. Mostrarei prodígios . . . antes que venha o grande e terrível dia de Jeová. Acontecerá que todo aquele que invocar o nome de Jeová será libertado.” (Joel 2:28-32) Os fatos registados da história provam que esta profecia começou a cumprir-se sobre o restante judeu dos seguidores de Jesus no dia da festa de Pentecostes de 33 EC. Sob o poder do espírito derramado de Jeová Deus esses seguidores judeus de Jesus de repente começavam a falar em outras línguas, de maneira milagrosa. Ademais, sob o poder dessa energia divina, o apóstolo Pedro e outros se levantaram e profetizaram ou explicaram várias profecias relativas a Jeová Deus e Cristo Jesus à multidão de pessoas assombradas que se ajuntavam. Ainda mais, pela mesma força ativa invisível se lhes deu nessa ocasião certos dons de conhecimento a fim de comunicarem conhecimento à multidão. Toda essa predita manifestação do espírito de Deus provou que ele tinha escolhido então essa congregação de Jesus o Messias, e nesse mesmo dia cerca de três mil judeus e prosélitos ficaram convencidos deste fato e foram transferidos da velha organização rejeitada à nova congregação cristã.—Act. 2:1-41.
UM CAMINHO DE CRESCIMENTO MEDIANTE DONS
6. Por meio do espírito, que foi comunicado à igreja primitiva?
6 Deste modo se instituiu a nova organização e por meio de tais dons milagrosos convincentes de seu espírito aos membros da organização se demonstrou que ela era a escolhida de Deus daí em diante. Um dos seus membros subsequentes foi o apóstolo Paulo, e ele discutiu mais do que qualquer outro escritor cristão inspirado esses maravilhosos dons do espírito. No capítulo doze da sua primeira carta aos cristãos em Corinto ele escreve: “A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que sejais ignorantes. Ora há diversidades de dons, mas um mesmo é o espírito, há diversidades de ministérios, e um mesmo é o Senhor; há diversidades de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do espírito para proveito. Pois a um pelo espírito é dada a palavra da sabedoria; a outro a palavra de ciência, segundo o mesmo espírito; a outro, fé, no mesmo espírito; a outro dons de curar, em um só espirito; a outro operações de milagres; a outro profecia; a outro discernimento de espíritos; a outro diversidades de línguas, e a outro interpretação de línguas; mas todas estas coisas opera um só e o mesmo espírito.” (1 Cor. 12:1, 4-11) A velha organização judaica rejeitada se opôs à manifestação do espírito de Jeová pelos dons milagrosos aos novos crentes cristãos mas não a pode parar, tampouco o puderam as organizações religiosas pagãs. A despeito da inveja e antagonismo dos incrédulos judeus e pagãos o Deus Todo-poderoso mostrou sobre quem descansava seu espírito e poder. De modo que os dons do espírito continuavam a ser comunicados e exercidos pelos seguidores de seu Filho durante aqueles dias apostólicos.
7, 8. Quais as perguntas que surgem relativo à falta de dons? Como replicamos?
7 Ao considerarem as testemunhas de Jeová Deus a sua organização neste século vinte, temos de admitir que ela não possui nem exerce esses dons milagrosos do espírito que marcaram e identificaram a organização das suas testemunhas no primeiro século. As pessoas que não entendem por que atualmente faltam tais dons poderiam perguntar, Não é o cristianismo o mesmo hoje em dia que naquela época? Não sofre a hodierna igreja cristã de Jeová uma falta vital por não possuir esses convincentes dons espirituais com que operar e pregar “este evangelho do reino”? Neste tempo cruciante em que o comunismo ateu e a mudanalidade religiosa se espalham por toda a parte, não poderíamos testificar o seu reino de modo mais eficiente se tivéssemos esses dons milagrosos do espírito para nos amparar e convencer os duvidosos?
8 Respondemos que o puro cristianismo (mas não o eclesiasticismo) é atualmente idêntico ao que era na sua infância. Não sofreu atraso, nem impedimento, tampouco fraqueza por não ter agora a operação da força ou espírito ativo de Deus pôr meio de miraculosos dons espirituais. A ausência de tais dons não nos surpreende. Foi predita pelo apóstolo Paulo no primeiro século, ao dizer: “Mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.” (1 Cor. 13:8, Almeida) A cessação dos dons de línguas e o desaparecimento dos dons de profecia e da ciência não é sinal do desfavor de Deus nem da inutilidade ou impotência do seu espírito. Não se tencionou que todos os cristãos possuíssem esses dons miraculosos, e nem todos os tem tido. Falando relativo ao seu próprio dia Paulo indaga: “São, porventura, todos apostolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? tem todos dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos?” (1 Cor. 12:29, 30) O apóstolo faz todas estas perguntas de tal maneira que a resposta exigida é Não! Portanto a falta de alguns ou de todos esses dons não constituiria evidência do desagrado de Deus mas indicaria seu modo diferente de operação. Não controlamos a dádiva de semelhantes dons milagrosos nem a dádiva de dons particulares, mas Deus a controla, de modo teocrático. Êle dota os membros da sua igreja à vontade dele, desde Jesus Cristo para baixo. E o seu espírito pode operar e opera, sim, com tanta potência hoje sem esses dons espirituais como operou com eles no primeiro século. Na verdade, o fiel restante da verdadeira igreja cristã hoje efetua, pelo espírito de Jeová Deus, um testemunho mais possante por seu nome e reino do que jamais antes na era cristã.
9. O que fez que a igreja seja idêntica hoje, sem perda real?
9 Visto que os dons miraculosos do espírito passaram há muito, não sendo mais necessários neste dia avançado da verdadeira igreja, não adiantaria nada o cristão consagrado de hoje desejar ardentemente quaisquer deles, tais como outras línguas, a habilidade de traduzi-las, o poder de curar, a profecia ou pregação inspirada, etc. O tempo desses já passou, e Jeová Deus nunca lhes responderia a oração. Há dezenove séculos era método bom e eficaz para estabelecer e edificar a congregação cristã por meio dos dons que inspiravam reverência e que o espírito deu aos membros dela. Mas o restante da verdadeira igreja de hoje orientado por Deus e pelo seu espírito segue um caminho mais excelente do que o de usar dons espirituais. Este é o caminho do amor. É isto que faz que a verdadeira igreja cristã seja a mesma hoje como no primeiro século, na sua infância quando precisava dos sinais dos dons espirituais milagrosos. A verdadeira igreja hoje tem a mesma qualidade essencial de amor que tinha nos dias apostólicos. É pelo caminho do amor que ela está sendo edificada e esta perfazendo todas as suas obras em obediência a Deus e em imitação a Jesus Cristo. É neste caminho permanente todo importante que ela tratou de seguir todos estes dezenove séculos. É um caminho mais excelente do que o de operar meramente pelos dons do espírito. Em consequência, por seguir inteiramente este caminho no clímax da era cristã, a igreja não sofreu nenhuma perda, empecilho ou injúria real pela retenção dos dons. Ela é tão cheia do espírito como sempre, se não ainda mais, agora que chegamos ao fim deste mundo e as profecias se estão cumprindo completamente.
10. Como se compara o caminho do amor com os dons do espírito, e por quê?
10 É a isto que o apóstolo se refere ao mostrar que há uma variedade de dons espirituais e perguntar se todos os cristãos têm todos e os mesmos dons. Já que há uma variedade de dons, alguns são preferidos aos outros. Mas ainda que sejam muito desejáveis tais dons, há algo muito mais importante e vital que não se deve perder de vista. De modo correto se devem desejar os superiores durante o tempo em que se dispensam esses dons, mas há uma coisa muito mais excelente do que dons miraculosos, e portanto algo que muito mais se deve desejar e tratar de alcançar. De modo que o apóstolo dirige-lhe a atenção, dizendo: “Aspirai aos dons mais elevados. E eu vos apresento um caminho ainda mais excelente.” (1 Cor. 12:31, Negromonte) Nós cristãos hodiernos podemos seguir o encorajamento do apóstolo e aspirar a ganhá-lo com tanto ardor e confiança como nossos irmãos nos dias dele. Ainda que não tenhamos os dons miraculosos, nós hoje podemos andar nesse caminho mais excelente tão cabal e fielmente como eles andaram nos tempos apostólicos e destarte provar-nos dignos da salvação sempiterna. O caminho é o caminho de Deus, o do amor.
NÃO HÁ PROVEITO SEM ÊLE
11, 12. Como poderia alguém falar em línguas e ainda ser nada? Por quê?
11 Para demonstrar quão superior é este caminho, o apóstolo ilustra quão importante é. Suponhamos que alguém tivesse alguns ou todos os dons pedidos miraculosamente pelo espírito de Deus. Mas se não cultivasse esta qualidade vital, a de amor, ele seria nada. Ainda falando sobre os dons do espírito, o apóstolo abre o capítulo treze da sua epístola, dizendo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” (1 Cor. 13:1, 2, Almeida, margem) Se alguém estava qualificado para escrever dessa forma, foi o apóstolo Paulo, porque possuia todos os dons que ele nomeia aqui, e na medida mais abundante. Pela expressão “línguas dos homens” ele não se referia à oratória ou eloquência, pela qual manter encantados os assistentes ou os influenciar a certa opinião ou ação, pois essa o apóstolo não pretendia ter. Alguns dos coríntios a quem ele escrevia disseram a respeito de Paulo: “As suas cartas . . . são graves e fortes, mas sua presença corporal é fraca, e a sua palavra desprezível.” Paulo até admitiu isto, dizendo: “Mas ainda que sou rude na palavra, não o sou todavia na ciência.” (2 Cor. 10:10; 11:6) Por, “línguas dos homens” o apóstolo queria dizer dons milagrosamente comunicados para falar em outras línguas dos homens, e em tais “línguas dos homens” ele podia falar pelo poder do espírito ou energia invisível de Deus. No próximo capitulo ele exclama: “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.”—1 Cor. 14:18, Almeida.
12 Que adiantaria se Paulo falasse pelo espírito em todas essas várias línguas mas não os interpretasse também ou não tivesse ninguém na assistência para interpretar por ele? Não lhes aproveitaria mais do que se escutassem um bárbaro pagão. “O que fala em língua, não fala a homens, senão a Deus, pois ninguém o entende, mas em espírito fala mistérios. Aquele que fala em língua, edifica-se a si mesmo, . . . Por isso quem fala em língua, ore para que a interprete. Pois se eu orar em língua, o meu espírito ora, mas o meu entendimento não dá fruto.” Ora, se Paulo persistisse em falar em línguas sem que a interpretação as acompanhasse, certamente seria sem amor da parte dele. Os seus ouvintes não receberiam benefício algum a não ser um sinal da operação do espírito sobre o apóstolo, e Paulo simplesmente trataria de exibir o seu dom. Este proceder não o edificaria em amor e por isso não lhe seria de proveito duradouro. Foi porque tinha amor pelos que buscavam edificação espiritual e salvação que Paulo acrescentou esta resolução: “Dou graças a Deus que falo em línguas mas do que todos vós; mas na igreja eu antes quero falar cinco palavras com o meu entendimento, para que instrua também a outros, do que dez mil palavras em línguas.”—1 Cor. 14:2, 4, 13, 14, 18, 19.
13, 14. Que ocupa o primeiro lugar, a profecia ou as línguas? Por que assim?
13 Pelo mesmo motivo prudente e amoroso convém ao pregador do reino de Deus tratar de falar na linguagem comum que as pessoas usam e entendem ao invés de empregar a linguagem da educação superior, que exibiria, na verdade, sua erudição superior mas lhes seria semelhante a uma língua estrangeira. Tendo isto presente a Escola Bíblica de Gilead da Watchtower trata de dar aos missionários que forma, a ciência básica da língua dos países aos quais serão enviados. Os anjos têm uma língua própria, mas se Paulo ou qualquer outro falasse nessa língua celestial, poderia exibir um dom superior, mas que criaturas na terra se aproveitariam do que ele dissesse? Seria para os outros igual a um gongo barulhento ou um sino tinente. Não passaria de ser isso aos olhos de Deus. Quando os anjos de Deus apareceram aos homens e mulheres, eles falavam nas línguas que esses homens compreendiam para que entendessem a mensagem de Deus e se aproveitassem dela.
14 O dom da profecia era superior ao de outras línguas. “Aquele que profetiza se dirige aos homens com palavras que os edificam, animam, e consolam. Aquele que fala numa “língua“ edifica a si mesmo, ao passo que quem profetiza edifica a igreja. Ora quero que todos vós faleis em ’línguas’, mas antes que profetizeis. Maior é aquele que profetiza do que aquele que fala em “línguas“ — a não ser que também as interprete, para que a igreja receba edificação . . . Aspirai ao dom de profetizar, e não proibais o falar em “línguas.” (1 Cor. 14:3-5, 39, Moffatt [em inglês]) Por causa do seu poder de edificar os irmãos de alguém na língua que eles entendiam, o dom da profecia era para ser desejado acima de vários outros dons. Na verdade, Paulo alista os que tinham o dom de profetizar em segundo lugar após os apóstolos, dizendo: “A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar doutores.” Ele alista as línguas de várias espécies no oitavo e último lugar. O dom de profetizar foi comunicado tanto a homens como a mulheres. A profecia de Joel 2:28, 29 predisse que o espírito seria derramado sobre ambos os sexos e que os filhos e as filhas e os servos e as servas profetizariam. Exatamente assim mostra o registo que as mulheres bem como os homens participaram deste dom. As quatro filhas virgens de Felipe o evangelista profetizavam. E Paulo escreveu para regular o profetizar das mulheres dentro da congregação coríntia, dizendo que lhes convinha usar véu ao fazerem isso, de respeito pelos homens consagrados que representavam a Cabeça da igreja, Jesus Cristo. Ele diz: “O homem é a cabeça da mulher; . . . Toda a mulher, porém, quando ora, ou profetiza, não tendo a cabeça coberta, desonra a sua cabeça.”—1 Cor. 3:3-5 ; Atos 21:8, 9.
15. Como poderia o dom de profecia ser usado sem benefício para o que o usa?
15 Paulo era o principal dos que profetizavam pelo dom do espírito. Ele sabia, porém, que precisava ter o motivo correto ao assim profetizar, se ele próprio quisesse tirar proveito. Aqueles que escutassem a sua pregação inspirada poderiam ser edificados na fé e ciência, mas se Paulo não tivesse por motivo o amor para querer ser e entregar-se a ser profeta desta espécie, então fazer ele pregação inspirada não teria nenhum bom efeito para com ele mesmo. Ele seria semelhante ao antigo profeta Balaão nos dias em que Moisés conduzia os israelitas fora do Egito à Terra Prometida. Balaão desejava lucro material egoísta e se alugou a Balac, rei dos moabitas, para amaldiçoar os israelitas. Mas, contrário aos motivos maus de Balaão, o espírito sobrepujante de Deus fez que profetizasse uma bênção sobre os israelitas. O coração de Balaão não estava nessa profecia de bênção. Logo depois ele foi morto como profeta que amava o salário da injustiça e tratava de anular a bênção por enredar os israelitas abençoados na idolatria imoral. (Num. 22:1 a 25:3; Apo. 2:14 ; 2 Ped. 2:15, 16) De forma que o apóstolo disse aos coríntios que, a fim de não permitir que sua carne egoísta dominasse os seus motivos, ele esbofeteava e escravizava seu corpo, para que, “havendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser rejeitado.”—1 Cor. 9:15-18, 26, 27.
16, 17. Com que motivo e como temos de pregar o Reino? Por quê?
16 O dom de profetizar ou da pregação inspirada cessou com a morte dos apóstolos do Cordeiro Jesus Cristo; mas hoje, pelo poder do espírito de Deus, a pregação do evangelho do Reino para a salvação da humanidade está sendo efetuada como nunca antes. A pregação em lugares públicos e de casa em casa para a edificação de outros continua, mas a questão com cada homem e mulher empenhada na pregação do Reino é, Qual é o motivo com que a faço?
17 É possível que tenhamos desenvolvido o poder de dar um excelente discurso ou testemunho à verdade. Podemos ter um argumento esplendidíssimo para convencer que estamos biblicamente certos. Talvez possamos explicar as verdades bíblicas e torná-las lúcidas e compreensíveis a outros. Assim é possível que até ajudemos outros a entrar na verdade, auxiliando-os a ver os seus privilégios de dedicar-se cabalmente a Deus e o servir. Podemos fazer tudo isso para com outros. Mas, se não tivermos amor permanente, que nos adiantará? É de proveito para outrem, mas deve ser também para nós de máximo proveito. Interessamo-nos não só na salvação dos outros mas também na nossa. Amamos a vida, e a desejamos eternamente. Mas, nossa vida tem de ser uma de amor. É necessário que expresse amizade para com outros que buscam a vida. De modo que a nossa pregação precisa ser fervorosa de amor, com um sentido de genuíno interesse no bem-estar duradouro dos que nos ouvem. Não se trata só de colocar perante nossos ouvintes fatos frios, e com efeito, dizer: “Aí está! Façam como quiserem!” Há mister de darmos algo mais. Na pregação precisamos ser sinceros com nossos ouvintes, deixando-os saber que estamos genuinamente interessados que eles vivam para sempre pelo conhecimento e serviço de Deus e Cristo. Fazendo isso, teremos amor em apoio do nosso método de profetizar hoje, e isso não só ajudará outros mas também será de máximo proveito para nós para a vida eterna.
OS MISTÉRIOS
18, 19. Como não usou Paulo de modo incorreto o conhecimento dos mistérios?
18 Toda pessoa deve usar o dom de Deus de modo correto, isto é, com amor em primeiro lugar a Deus e com amor a seu próximo. De outra sorte, o uso do dom não será de proveito ao que o usa, nem mesmo o dom de conhecer todos os mistérios sagrados. Se Paulo nos avisa sobre isso, ele deve saber o que está dizendo. Ele poderia ter-se exaltado pela abundância das revelações feitas a ele pelo espírito de Deus. Ele não quis que seus irmãos o estimasse pessoalmente de modo exagerado porque sabia com muita clareza tantos mistérios ou verdades secretas. De modo que ele disse: “O modo correto para um homem nos considerar é como servos de Cristo, e administradores autorizados de distribuir as verdades secretas de Deus. Ademais, o que sempre se requer dos administradores é que sejam de confiança.”—1 Cor. 4:1, 2, Uma Trad. Amer.
19 For assim instruir seus irmãos, Paulo atuava de maneira amorosa para com eles e para com Deus no uso do conhecimento das verdades secretas. Ele podia ter usado este conhecimento para induzir os irmãos a segui-lo e formar uma seita, julgando-o maravilhosamente sábio, tendo relação especial com Deus que lhe deu informações especiais, colocando-o no exclusive círculo secreto dos peritos. Mas tal proceder teria sido egoísta e vaidoso. Teria conduzido à sua ruína final sob o desagrado de Deus. Para evitar que seus irmãos cristãos tivessem uma atitude errada de adoração para com ele, o talentoso apóstolo lhes lembrou que os mistérios não eram da sua própria sabedoria e perspicácia, mas que lhe foram meramente confiados por Cristo. Desse modo ele era apenas servo de Cristo e obrigado a distribuir o conhecimento destes mistérios aos que buscavam a verdade. De modo que o crédito pela adquisição deste conhecimento se devia, não a Paulo o mero servo, mas a Cristo o Revelador dos segredos santos. Paulo era obrigado a ser fiel a seu Mestre Cristo Jesus na distribuição do conhecimento desses mistérios aos seguidores de Cristo. Pela fidelidade e pela dignidade em fazer isto Paulo não devia ser idolatrado, adorado e seguida como lider sectário. Ele desempenhava meramente seu dever para com Cristo, e a este se deve agradecer, louvar, honrar e seguir. Se Paulo amasse Deus e Cristo e seus irmãos, ele usaria estes mistérios altruistamente, não para se engrandecer entre os homens, mas para magnificar a Deus que revela os segredos santos mediante Cristo. Isto seria de proveito para Paulo.
20. Como usou Jesus tal conhecimento, e como o adquirimos agora?
20 Cristo Jesus disse a seus fiéis seguidores: “A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.” (Luc. 8:10) Jesus conhecia estes mistérios do Reino. Contudo não usava o seu conhecimento deles de modo interesseiro. Não; mas manifestava o seu conhecimento de modo amoroso. Ele podia ter usado egoistamente os mistérios a fim de edificar para si um grande corpo de seguidores nominais. Longe deste proceder, ele declarava os mistérios à vasta multidão em parábolas e enigmas e em particular os explicava apenas aos poucos escolhidos a quem Deus tencionou que se confiasse o conhecimento deles. Os hodiernos seguidores de Cristo são ajudados a entender os segredos santos da Palavra e propósito de Deus, não pelos dons inspirados da ciência, mas pelo poder iluminador de Seu espírito. De maneira que ainda é verdade: “Mas como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu espírito; porque o espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.”—1 Cor. 2:9, 10, Almeida.
21, 22. Como devemos usar tal conhecimento dos mistérios atualmente e por quê?
21 Uma vez ganho, o conhecimento de tais maravilhosos mistérios que fornecem a chave para compreender a Bíblia poderia ser usado de modo egoístico. Com habilidade especial de explicá-los a outros poderíamos fazer uma grandiosa exibição de nos mesmos para obter louvor e admiração. Ou poderíamos ceder a inclinações e preconceitos e não participá-los equitativamente com todos os que indagassem e quisessem saber. Ou, de medo dos homens, poderíamos refrear-nos de declarar esses mistérios que expõem a organização e as atividades dos inimigos de Deus. Destarte mostraríamos que não amamos a Deus. Pois “no amor não há medo, mas o perfeito amor lança fora o medo, porque o medo envolve castigo, e aquele que tem medo, não é perfeito no amor. O amor é perfeito em nós, para que tenhamos coragem no dia do juízo.”—1 João 4:18, 17.
22 Em razão disto Paulo rogou a seus irmãos cristãos que suplicassem a Deus por ele, dizendo: “por mim, para que me seja dada no abrir da minha boca palavra, para com ousadia fazer conhecido o mistério do Evangelho.” Ele pediu suas orações, “para que Deus nos abra uma porta á palavra, para falarmos o mistério de Cristo.” (Efé. 6:19; Col. 4:3) Inquestionavelmente, junto com um vasto conhecimento dos mistérios, Paulo tinha um amor abnegado; e certamente os cristãos atuais, maridos e esposas, que sabem do mistério de Cristo e da sua igreja devem mostrar amor por esforçar-se de aplicar esse conhecimento às suas relações mútuas. Ao explicá-Io, Paulo disse: “Grande é este mistério: digo-o porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.” (Efé. 5:32, 33, Almeida) A fim de sermos de proveito para nós mesmos bem como para os outros devemos usar o nosso conhecimento destes segredos profundos de Deus de modo amável.
O CONHECIMENTO
23, 24. Que conhecimento adicional poderíamos ter, conforme mostram Jesus e Pedro?
23 Há conhecimento além do dos sagrados mistérios, e neste ponto surge a pergunta pertinente, Como devemos aplicar e transmitir esse conhecimento? Paulo disse que, se ele possuísse toda a ciência e junto com ela não tivesse amor, provaria ser nada à vista de Deus, não importando quão inteligente os irmãos cristãos pensassem que fosse. Aqui ele se referia particularmente aos dons ocasionais de ciência dados de maneira miraculosa pelo espírito, os quais cessariam no decorrer do tempo.
24 Por exemplo, Jesus tinha tal dom especial momentâneo de conhecimento ao exclamar com respeito a Natanael que se aproximava: “Eis um verdadeiro israelita, em que não ha dolo!” “Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces?” Sim, onde o conhecia Jesus a não ser pelo espírito de Deus? Por isso Jesus podia mostrar quão cabalmente ele conhecia Natanael, respondendo a sua pergunta: “Antes de Philippe chamar-te, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.” (João 1:47, 48) Outra vez, depois de ter sido derramado o espírito santo no dia de Pentecostes, quando os dois discípulos Ananias e Safira conspiraram fingir ser amplos contribuintes ao serviço de Deus, o apóstolo Pedro tinha um oportuno dom de conhecimento. Habilitou-o a expor a farsa. Quando o homem entregou só uma contribuição parcial para criar uma falsa impressão, Pedro sabia o que estava acontecendo. Disse: “Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao espírito santo, e retivesses parte do preço do terreno? Porventura se não o vendesses, não seria ele teu; e vendido, não estava o preço no teu poder? Como formaste este desígnio no teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” Ananias caiu morto; e mais tarde quando a sua esposa Safira se revelou como participante da conspiração Pedro lhe disse: “Porque é que vós combinastes provar o espirito do Senhor?” Ela, também, caiu morta, mas não por falta de amor por parte de Pedro no uso do conhecimento.—Atos 5:1-10,
25, 26. Como usou Paulo tal conhecimento e também comentou sobre a ciência?
25 Um exemplo de ter o apóstolo Paulo um dom oportuno de conhecimento foi quando ele estava a bordo do navio com destino a Roma. Quando parecia certo o naufrágio e o oficial militar e seus homens iam desertar o navio, Paulo lhes disse: “Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos.” E na manhã do dia do naufrágio Paulo disse a todos os que estavam a bordo: “Hoje é o décimo quarto dia em que esperando estais em jejum, sem nada comer. Eu vos rogo que comais alguma coisa; porque disto depende a vossa segurança; pois nenhum de vós perderá um só cabelo da cabeça.” “Vamos dar a uma ilha.” (Atos 27:31, 33, 34, 26) Quão providenciais os dons de conhecimento podem ser, e quão maravilhoso seria possuir todo o conhecimento necessário!
26 Paulo bem sabia dos perigos do conhecimento, pois podia dizer a respeito de si: “Não sou orador, talvez, mas conhecimento possuo, sim; jamais deixei de fazer-me compreendido por vós.” (2 Cor. 11:6, Moffatt [em inglês]) Mas, se sabemos mais do que os outros é possível que isso nos envaideça e destarte nos faça mal. E com a superior ciência e a consciência esclarecida que ela dá, a pessoa poderia atuar de modo egoísta. Poderia exercer as suas liberdades de consciência sem se preocupar se as suas ações livres fazem tropeçar outros que não sabem tanto e que por isso têm receios de consciência. De modo que o conhecimento deveria ser equilibrado e dirigido pelo amor. Sobre isto o apóstolo diz, ao discutir o problema do alimento: “Ora, no tocante ás coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciencia. A ciencia incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele. Mas nem em todos há conhecimento.” (1 Cor. 8:1-7, Almeida) Os que têm conhecimento devem considerar com amor a ignorância dos outros.
27, 28. De que maneira pode a ciência injuriar o seu possuidor? Como pode ser feita proveitosa?
27 Inchada o que sabe corretamente, uma pessoa egoísta pode dizer: “Eu vou-me divertir. Por que deveria preocupar-me com o que os outros pensam a meu respeito? Sei que tenho razão no que faço. Se os outros são ignorantes, eu não tenho nada com isso. Por que devia eu deixar a sua ignorância e consciência obscurecida restringir a minha liberdade e impedir-me de gozar aquilo a que tenho direito?” Desde que este proceder não serviria para edificar os outros mas poderia injuriar até os que são cristãos, não seria um proceder amoroso. Só porque talvez a sua própria consciência não o atormente, em virtude do seu conhecimento, ele poderia pensar que não se está prejudicando. Mas prejudica-se, sim, pois está obstruindo o seu crescimento em amor e Deus poderia tê-lo por responsável pela destruição espiritual de outro visto ele se comportar de modo interesseiro quanto ao que sabe ser lícito.
28 O conhecimento nos deveria ajudar a expressar o nosso amor de uma maneira mais proveitosa. Se o marido sabe e entende a situação da mulher, ele pode exibir a sua afeição por ela duma maneira mais esclarecida. Pedro aconselha os maridos a fazer esta mesmíssima coisa. Ele diz: “Maridos, vós igualmente sede sábios na convivência com vossas mulheres, tratando-as com honra como sexo mais fraco, e porque são convosco herdeiras da graça da vida, afim de que as vossas orações não sejam impedidas. E, finalmente, sede todos de um mesmo sentir, compassivos, amantes dos irmãos, misericordiosos, modestos, humildes.” (1 Ped. 3:7, 8, Pereira) Em harmonia com a superioridade do amor sobre a ciência, Pedro mostra como os cristãos devem crescer e proceder a fim de jamais perder o galardão celestial, e daí menciona o amor por clímax. Ele diz que se deveriam diligentemente acrescentar à sua fé a virtude, e à virtude a ciência, e então à ciência não só a temperança, a paciência, e a piedade, mas também a fraternidade, e à fraternidade a qualidade culminante do amor.—2 Ped. 1:5-7, Almeida, margem.