A expressão do amor
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”—1 Cor 13:13, Almeida, margem.
1. O que espera Deus que exerçamos, e para destarte sermos dignos de quê?
JEOVÁ Deus é a fonte de amor. Como Criador ele implantou nas suas criaturas aquela qualidade maravilhosa chamada “amor”. Sem ela o homem perfeito não teria sido criado à imagem e semelhança de Deus. O grande inimigo invisível do homem, o iníquo adversário de Deus chamado Satanás o Diabo, tem trabalhado durante milhares de anos no esforço de perverter esta qualidade divina e riscá-la do coração humano. Êle tratou de fazer tôda a humanidade odiar a Deus ou amá-lo com amor hipócrita. Somente Deus, a Fonte é Aquele que pode restabelecer ou cultivar o puro amor no peito humano. Pela sua própria demonstração êle nos revela o que êsse é, de modo que os dedicados a êle dizem de direito: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19, Almeida) Êle não espera que sejamos maravilhosamente sábios; não espera que sejamos fortes e poderosos fisicamente; não espera que na nossa imperfeição preenchamos exatamente os requisitos de justiça e nunca pequemos. Mas espera, sim, que exerçamos amor de coração puro. Isto é de máxima importância, se desejamos provar que somos dignos de vida eterna no seu justo novo mundo.
2. Como e a quem se conferiram dons? Que mais era necessário?
2 O espírito de Deus é a sua fôrça ativa invisível. É a sua energia que êle exerce para efetuar a sua vontade e propósito. Por meio dêste êle executa muitas coisas que são milagrosas para o homem, mesmo neste século vinte. No primeiro século, pelo seu espírito santo, Jeová Deus impôs seu poder aos que se tornaram seguidores do seu amado Filho Jesus Cristo. Por êsse espírito lhes conferiu instantâneamente vários dons que esta idade eletrônica não pode imitar. Havia dons de poder para curar pessoas doentes e aleijadas, sim, para levantar à vida os mortos; dons de poder para profetizar ou transmitir informações e conhecimento especial; dons de falar numa língua estrangeira e de traduzir línguas. Êstes foram dados aos que creram em Jeová Deus e Jesus Cristo. Êles dedicaram as suas vidas a Deus para servi-lo conforme seu Filho nos mostrou, e Deus os aceitou por intermédio do sacrifício e da justiça de seu Filho. Dons miraculosos lhes foram transmitidos pelos doze apóstolos de seu Filho Jesus Cristo. Êsses dons foram usados para provar que o cristianismo provinha do Deus vivo e verdadeiro e era o caminho para ganhar a vida eterna. Mas um cristão daquele tempo podia possuir qualquer ou todos êsses dons do espírito e, ainda assim, isso por si só não lhe garantiria a vida eterna. Competia-lhe usar êsses dons de modo correto, quer dizer, por motivo correto.No uso dêsse dons êle tinha de exercer e cultivar a qualidade todo-necessária de amor. De outra forma o emprêgo dos seus dons espirituais e a execução de atos notáveis não valeria nada perante Deus. Êle não seria nada e findaria em nada. Somente o amor o tornaria feliz. O que, então, é amor, não aquilo que os homens mundanos chamam por êsse nome, mas o que Deus chama de “amor”?
3. Como se define amor, e por que é isso importante?
3 À parte do dicionário, tem sido definido como a “perfeita expressão de altruísmo”. Necessariamente é desinteressado, porém precisa ser, não negativo, mas positivo. Deve expressar-se e não refrear-se quando há bem para ser feito. Embora desinteressado não procura nada para si mesmo, procura contudo, buscar ativamente a glória de Deus o Criador e o permanente bem-estar das suas outras criaturas. Se não, então carece de perfeito amor. Portanto o amor é a qualidade em nós implantada que se expressa na nossa inquebrantável fidelidade a Jeová Deus e à sua organização teocrática e nos nossos atos altruístas para com outros e no nosso interêsse ativo no bem-estar eterno de outras criaturas. Pode-se defini-lo melhor por dizer como opera; e, sabendo isto, podemos medir se as nossas palavras, ações e atitudes são amorosas. É necessário que o cultivemos diária, continuamente, se estivermos interessados em provar-nos dignos de que Deus nos confira o dom de vida sempiterna. O amor é todo-importante para essa vida. O egoísmo de qualquer espécie não contribui para a vida. Isto é provado pelo fato que é o egoísmo que finalmente arruina o mundo e ameaça causar a morte de todo o povo. Não poderia deixar de fazer isso, afinal de contas. Somente o amor de Deus é o que salvará os homens de boa vontade.
4. Neste sentido, como nos afeta o verdadeiro cristianismo?
4 O capítulo treze da primeira carta de Paulo aos coríntios é famoso pela sua descrição de como o verdadeiro amor atua e não atua. Nos versículos iniciais dêste celebrado capítulo o apóstolo menciona diversos dons do espírito, a saber, línguas, profecia, conhecimento de todos os mistérios e de tôda a ciência, e fé. Êle se apressa em nos assegurar que a possessão dêles não nos traz bem durável se não tivermos amor. O cristianismo não é um mero sistema desapiedado de fazer prodígios que retém as pessoas na organização por meio de milagres que inspiram temor. Êle modifica a vida, tornando-nos semelhantes a Deus na qualidade que mais destacou a Deus nos seus tratos com a humanidade. Não ama com serviço só de bôca. Não fala meramente coisas suaves sem valor, como “eu te amo”, e fica nisso. Não é uma simples palavra fria que falamos. Não; se realmente amamos alguém, haverá expressão ativa disto. Há ação no amor, há fôrça, há nêle movimento do amante para o objeto amado. Quando damos em amor há sentimento altruísta, há amizade, há devoção, há ardor carinhoso. Quando nos damos a nós próprios em amor, há mais possibilidade de que alguma coisa seja dada em retribuição. Este atributo divino é o que faz que valha a pena viver. O desenvolvimento dele nos torna alguma coisa aos olhos de Deus nosso Vivificador. Vejamos, então, o que Ele inspirou o apóstolo a dizer relativo ao amor.
5. O amor é fruto de que, e adquirido e aperfeiçoado de que maneira?
5 Ao examinarmos qual deve ser o seu comportamento em todos os tempos, no primeiro século e neste século vinte, vemos que o amor produz em nossas vidas o que o apóstolo noutro lugar chama de fruto do espírito de Deus. Note-se este fruto conforme o apóstolo o descreve, em Gálatas 5:22, 23, dizendo: “O fruto do espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança [domínio de si mesmo]. Contra estas coisas não há lei.” (Almeida, margem) Desde que as expressões de amor se adaptam ao fruto do espírito, segue-se que para amar precisamos ter o espírito de Deus. A sua força ativa invisível tem de operar sobre nós e obrar por meio de nós. Não pode haver dúvida sobre isto, pois somos informados distintamente: “O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo espírito santo que nos foi dado.” (Rom. 5:5, Almeida) Mas lembremo-nos que esta qualidade não é um dom miraculoso do espírito, tal como línguas, profecia, traduções, curas, etc. Não podemos, portanto, orar que Deus nos encha dele de repente e esperar que nos encha na plena perfeição num instante. É um “fruto” do espírito, isto quer dizer que se tivermos o seu espírito teremos essa qualidade semelhante a Deus. Mas podemos perdê-la se não nos acautelarmos contra o inato egoísmo que Satanás gostaria de reincitar dentro de nós. Por isso nos compete cultivar o amor para que habite no nosso íntimo e cresça à perfeição. Podemos esperar com certeza, e sem desapontamento, ter mais dele se orarmos que tenhamos mais do espírito de Deus, desejando o seu fruto nas nossas vidas.
PACIENTE, BENIGNO, GENEROSO
6, 7. Como é longânime o amor, conforme demonstrado por Deus e exigido de nós?
6 Ora, tendo presente o que é o fruto do espírito, vemos o espírito de Deus manifestar-se no amor, conforme diz o apóstolo: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.” (1 Cor. 13:4, Almeida, margem) Pode-se esperar que o espírito de Deus nos mova ao procedimento que é semelhante ao dele e que ele ordena. Desde a queda do homem no pecado e na morte Deus tem sido longânime para conosco, e o propósito disto foi a salvação eterna de todos os de coração reto. Se ele não tivesse sido tão longânimo, estando disposto a suportar-nos com tanta paciência, nenhum de nós estaria hoje no caminho da salvação. Podemos considerar que a sua longanimidade e paciência pressagia a salvação não só para nós mas também para outros que ainda ouvirão antes que finde o seu tempo de longanimidade. (2 Ped. 3:15) Ele espera que outros se aproveitem da oportunidade para a salvação que a sua longanimidade oferece.
7 Deus é o nosso exemplo neste sentido, e portanto se tivermos amor nós, também, serem sofredores, pacientes. Seremos isso, aguardando melhoramento no comportamento de outros ao aprenderem e observarem mais. Estamos dispostos a perdoar-lhes muito, porque esperamos a sua salvação final e desejamos ajudá-los nesse intuito. Não nos esquecemos de quão sofredor e paciente Deus tem sido conosco e desejamos ser semelhantes a ele para com os outros. De modo que nos refreamos a fim de esperar pelo outro. Se este não progride tão rapidamente no caminho certo como pensamos, então, o amor nos ajuda a ser pacientes. Se ele não faz as coisas no lar onde moramos assim como o queremos, toleramo-lo, confiando que com o tempo haja urna mudança para melhor. Não somos exigentes; não o forçamos a fazer a nossa vontade. E se certas pessoas não se apoderam da verdade tão depressa como nos instamos com elas que façam; se não progridem tão rapidamente em aprendê-la como gostaríamos, ainda continuamos a servir-lhes a verdade segundo as nossas possibilidades. O amor nos torna sofredores, pacientes para com elas. Mantém-nos no comportamento correto.
8. Para com quem tem de ser benigno o amor, e isso apesar de que?
8 O amor é benigno, e a benignidade ou mansidão faz parte do fruto do espírito de Deus. Há bastante lugar para exercê-lo, porque às vezes e necessário mostrá-lo a nossos irmãos cristãos bem como aos de fora. Se não, por que escreveria o apóstolo a seus irmãos e diria: “Tornai-vos, porém, bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou”? (Efé. 4:32) Em tal condição de coração consideramos nossos irmãos com bondade. Lembramo-nos que eles ainda se acham na carne imperfeita e inclinada a pecar, o mesmo que nós, e não podemos exigir deles mais do que Deus exige de nós. Não importa se talvez no momento não apreciem a nossa bondade para com eles. Deus, também, é benigno com os ingratos e até com os maus. Se somos filhos seus, mostraremos esta qualidade semelhante a ele. (Luc. 6:35) Sim, mostramos a nossa gratidão a Deus e respondemos-lhe a chamada à salvação, mas ainda assim não podemos fazer obras perfeitas de justiça que nos granjeariam a salvação. De modo que ele nos precisava tratar com mansidão, com misericórdia. De outra forma a sua justiça nos destruiria. Quanta ternura há nas palavras inspiradas que nos dizem: “Mas quando apareceu a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça que nós fizemos, mas segundo a sua misericórdia nos salvou”! “Para mostrar nos séculos futuros a suprema riqueza da sua graça em bondade para conosco em Cristo Jesus.”—Tit. 3:4, 5; Efé. 2:7.