Dedicação para a vida no novo mundo
“Então disse eu: Eis que venho; no rolo do livro está escrito a meu respeito: Em fazer a tua vontade, Deus meu, eu me deleito; a tua lei está dentro do meu coração.” —Sal. 40:7, 8.
1. Como se têm dedicado pessoas e coisas até o tempo atual, e que dedicação realmente conduz a uma vida santa?
DURANTE todos os tempos as pessoas se têm dedicado a muitas causas, e têm dedicado muitas coisas além de si próprias. A lei de Moisés permitia que um homem alistado dedicasse uma casa que tinha construído antes de ser inscrito no exército teocrático de Israel. O rei Devi dedicou sua casa, e um salmo foi composto para a ocasião. (Deu. 20:5, Sal. 30, título) Os israelitas dedicaram a casa do seu Deus e o altar dela. Após a restauração de Jerusalém eles dedicaram os muros reedificados da cidade. (Núm. 7:10, 11, 84, 88; 2 Crô. 7:9, Esd. 6:16, 17; Nee. 12:27) Nabucodonosor, rei de Babilônia dedicou o ídolo de ouro que ele levantou no campo de Dura, e alguns pais dedicaram seus filhos a certo fim. (Dan. 3:2, 3; Pro. 22:6; Gên. 4:17, 5:18, 22) A dedicação da pessoa ou coisa inicia essa pessoa ou coisa em certo caminho, proceder ou uso, mas não quer dizer necessariamente colocá-los num emprego santo ou sagrado. Todavia, quando nos dedicamos ao Deus vivo e verdadeiro, neste caso nos apartamos para uma vida santa, separada, isto quer dizer, diferente do caminho deste mundo, a uma vida que não é comum mas que está reservada para não ser tocada nem usada para uns mundanos. Por conseguinte, tal pessoa dedicada se obriga a praticar a religião limpa e incontaminada, que quer dizer, “guardar-se sem mácula do mundo” —Tia. 1:27, NM.
2, 3. Nas Escrituras Gregas Cristãs insta-se dedicação ou consagração nesses mesmos termos, e que fórmula usavam os discípulos?
2 Ao buscarmos nas Escrituras Gregas Cristãs não encontramos a palavra dedicação nem consagração empregada para designar este passo de alguém dar-se exclusivamente a Deus mediante Jesus Cristo. Quando lemos dos primitivos adotantes do cristianismo achamos que se diz apenas que creram ou exerceram fé. A fórmula usada por aqueles que instavam com as pessoas para adorarem o cristianismo era, “Arrependei-vos e convertei-vos,” ou, “Arrependei-vos e virai-vos.” Também, “Arrependei-vos e sede batizados.”
3 No dia de Pentecostes, quando as pessoas perplexas perguntaram aos apóstolos de Cristo, “Irmãos que faremos?” Pedro respondeu: “Arrependei-vos cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão de vossos pecados, e recebereis dom gratuito do espírito santo. . . . Salvai-vos desta geração perversa.” Alguns dias mais tarde no templo Pedro disse a outra multidão: “Arrependei-vos pois, e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério da pessoa de Jeová e envie ele o Cristo que já vos foi indicado, Jesus.” (Atos 2:37-40, 3:19, 20, NM) Quando o carcereiro, arrependido, em Filipos, Macedônia, indagou de Paulo e Silas, “Senhores, que me é necessário fazer para me salvar?” eles responderam: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo e tua casa.” Então “falaram a palavra de Jeová ele e a todos os que estavam em sua casa”, e depois “logo foi batizado, ele e todos os seus.” —Atos 16:30-33, NM.
4. Quais são as expressões bíblicas que descrevem o passo pelo qual eles se tornaram cristãos nos tempos apostólicos?
4 Como, então, diz o registo inspirado que eles se tornaram verdadeiros cristãos e um povo para o nome de Deus? Consagrando-se? Não! Foi por crerem ou tornarem-se crentes, exercendo fé e depositando sua fé no propósito e arranjo revelado de Deus. Lêde-o para vós mesmos: Após Pentecostes “todos os que se tornaram crentes tinham juntos tudo em comum.” “Além disto, cada vez mais se agregavam crentes no Senhor, multidões tanto de homens como de mulheres.” “A ele todos os profetas dão testemunho, de que todo o que nele deposita fé recebe por seu nome perdão dos pecados.” “Ademais, a mão de Jeová era com eles, e grande número que se tornaram crentes converteram-se ao Senhor.” “Quando os das nações ouviram isto, começaram a alegrar-se e glorificar a palavra de Jeová, e todos os que estavam corretamente dispostos para a vida eterna tornaram-se crentes.” “Assim Paulo saiu do meio deles, todavia alguns homens aderiram a ele e tornaram-se crentes.” “Mas Crispo presidente da sinagoga, tornou-se crente no Senhor com toda a sua casa. E muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.” “E muitos dos que se haviam tornado crentes vinham confessar e relatar abertamente as suas práticas.” Portanto aceitar assim a crença ou fé segundo o recém-revelado propósito e vontade de Deus foi o que os tornou cristãos, o povo de Deus. —Atos 2:44; 4:4; 5:14; 10:43; 11:21; 13:48; 17:33; 18:8; 19:18, NM.
5. Onde, então, se introduziu a dedicação da própria pessoa a Deus, e como foi manifesta?
5 Onde, pois, se acha a dedicação que alguém faz de si próprio a Deus mediante Jesus? Está incluída nesta crença ou exercício de fé. Tiago 2:17, 24 (NM) nos diz: “A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Vedes que é pelas obras que o homem é declarado justo, e não somente pela fé.” A dedicação a Deus mediante Cristo consiste em vitalizarmos a fé, ativando-a, fazendo que ela produza obras e conduzindo à prática da justiça. Conforme notamos do registo acima citado, os que exerceram fé ou se tornaram crentes fizeram obras. Submeteram-se ao batismo água para dar testemunho simbólico da sua fé, e destarte imitaram a Jesus. Voltaram-se do mundo para ele como sendo o Ungido ou Messias de Jeová, a quem Jeová tinha constituído seu Senhor celestial. Uniram-se à organização visível de Jeová e permaneceram juntos como congregação unida. Confessaram e relataram abertamente as suas práticas do passado e demonstraram que se tinham arrependido ou mudado de ideia no tocante a tais coisas e que se tinham convertido ou voltado e então seguiam no caminho de Deus nas pisadas de Jesus. Assim mostraram que estavam “corretamente dispostos para a vida eterna” no novo mundo.
6. Como confessaram a fé, para a sua salvação?
6 O livro dos Atos relata como confessavam sua fé abertamente a todas as pessoas pregando a Palavra de Deus e seu cumprimento em Jesus Cristo e sua congregação. Isto lhes importava em salvação. Portanto escreveu o apóstolo Paulo, em Romanos 10:4, 8-10 (NM): “Cristo é o fim completo da Lei, para que todo aquele que exerce a fé tenha a justiça. Mas que diz? ‘A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração’, isto é, a ‘palavra’ da fé que pregamos. Porque, se declarares publicamente essa ‘palavra em tua boca’, que Jesus é Senhor, e em teu coração exerceres fé que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Pois com o coração se exerce fé para a justiça, mas com a boca se faz declaração pública para a salvação.”
7. Que importância se dá a “fé” e “crer” nas Escrituras Hebraicas e nas Escrituras Gregas Cristãs?
7 As palavras “fé” e “crer” parecem de pouca importância nas antigas Escrituras hebraicas, aparecendo “fé” apenas duas vezes e “crer” apenas 46 vezes na Versão Rei Jaime (em inglês). (Deu. 32:20; Hab. 2:4) Mas nas Escrituras Gregas Cristãs se dá a estas palavras a devida importância, e “fé” recebe uma excelente definição em Hebreus 11:1, e lemos como as pessoas da antiguidade a tinham.
8. Que segurança bíblica temos que, ao dedicarmo-nos, Deus ouve, presta atenção e nos responsabiliza por isto?
8 Quando em oração, ou silenciosa ou audivelmente a nós mesmos, nos dedicamos a ele para fazer sua vontade daí em diante para todo o sempre em qualquer plano de vida que Deus nos escolhe, será que Deus nos altos céus realmente nos ouve ou presta atenção a nós? Sua Palavra nos assegura que ele ouve sim, e temos de exercer fé que ele assim faz, a fim de nos mantermos firmes à nossa decisão. A Cornélio pouco antes de ser convertido ao cristianismo, o anjo de Jeová disse: “As tuas orações e as tuas dádivas de misericórdia têm subido para memória diante de Deus.” “A tua oração foi ouvida favoravelmente e as tuas dádivas de misericórdia têm sido lembradas diante de Deus.” E quando Cornélio e seus companheiros que escutavam aceitaram a mensagem de Pedro e em silêncio no coração exerceram fé, assim se dedicando a esta nova crença, Deus observou e derramou sabre eles seu espírito santo, transmitindo-lhes o dom de falar profecias. (Atos 10:3-7, 30-32, 44-48, NM) Muito antes disto, Ana foi ouvida, ainda que orasse e fizesse seu voto relativo a Samuel sem se ouvir palavra alguma, só movendo seus lábios. Ela tomou a sério seu voto e o pagou a Jeová Deus. (1 Sam. 1:9-28) O rei Salomão ao dedicar o templo rogou que Deus ouvisse o estrangeiro de boa vontade que lhe orasse e dirigisse sua oração ao santo templo. Hoje Jeová Deus está ouvindo tal oração por parte das multidões de estrangeiros de boa vontade. —1 Reis 8:41-43.
9, 10. Dedicam-se a Deus esses estrangeiros de boa vontade, e que faz Deus relativo a eles?
9 Êsses estrangeiros de boa vontade manifestam uma semelhança a ovelhas e são idênticos aos que o Rei Jesus Cristo representa como ovelhas na sua parábola das ovelhas e dos cabritos e essas ele reúne à sua direita. (Mat. 25:31-46) Esses estrangeiros de outrora viram seu privilégio de dar a si próprios a Deus mediante o Rei Jesus Cristo, e é por esta dedicação que se tornam as ovelhas do Rei. Portanto vão além de só fazer coisas bondosas para com os irmãos espirituais do Rei. Ainda que Deus não consagre estas outras ovelhas para serem sacerdotes com seu real Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, contudo lhes faz alguma coisa no tocante à sua organização e serviço. Faz que seu Justo Pastor, Jesus, cumpra suas palavras de há muito a eles: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco [sacerdotal], a essas também me importa trazer, e elas ouvirão a minha voz, e se tornarão um rebanho, um pastor.” —João 10:16, NM.
10 Mediante sua organização visível o Único Pastor marca as outras ovelhas na testa como sendo sua propriedade. Êle lhes dá o privilégio de colaborar com o restante organizado de seus irmãos espirituais. Portanto têm a oportunidade e obrigação de adiantar a adoração pura e incontaminada na terra. Assim se provando fiéis testemunhas de Jeová elas retém o sinal de identificação na testa. Por meio deste sinal confessam abertamente sua dedicação a Deus e sua soberania universal. Sendo que apenas essas outras ovelhas têm a segurança divina de serem poupadas durante o Armagedon assim como foram poupados os filhos e noras de Noé durante o dilúvio, o sinal se torna em realidade um de segurança para elas. Sobrevivendo ao Armagedon marcadas com o sinal, entrarão no novo mundo cabalmente dedicadas a Deus e prontas para fazer na terra a revelada vontade divina desse tempo glorioso em diante.
11. Como deve alguém empreender a dedicação, como deve ele a considerar depois de a assumir, e como gravá-la no coração?
11 Por isso após dedicar-vos em fé a Deus, mantende vossa palavra sagrada, inviolável, intacta por qualquer mudança. O vosso voto de pertencer a ele e fazer sua vontade é obrigatório para todo o sempre. De modo que, “não abras a boca precipitadamente, e não se apresse o teu coração a proferir palavra alguma diante de Deus, porque Deus está no céu, e tu sobre a terra. Portanto sejam poucas as tuas palavras. Quando fizeres um voto a Deus, não tardes em o cumprir, porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é não fazeres voto, do que fazel-o sem o cumprir. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas na presença do anjo que foi um erro, porque se iraria Deus contra a tua voz e destruiria a obra das tuas mãos? . . . tu, porém, teme a Deus.” (Ecl. 5:2, 4-7) Portanto, seja a dedicação vosso passo pessoal, de decisão própria. Vossos pais ou tutores não a podem fazer por vós e obrigar-vos a guardá-la se não estiverdes dispostos. Tende certeza de que já calculastes as despesas de dar esse passo, de modo que estejais determinados a prosseguir nesse caminho até o êxito final, custe o que custar agora e no futuro. (Luc. 14:26-33, NM) Gravai no coração a vossa dedicação a Deus, simbolizando-a publicamente pelo batismo nágua em obediência a Jesus Cristo, nosso Exemplar, para vos auxiliar a jamais esquecê-la.—Mat. 28:18-20, NM.
12. Que aviso das Escrituras prova que Deus responsabiliza a pessoa pela sua consagração, e a que conduz viver à altura dela?
12 Estai certos de que Deus, que não pode mentir e que não ama a mentira, vos responsabiliza irrevogavelmente pelo vosso voto. Não sejais “néscios, infiéis nos contratos”. Lembrai-vos do “justo decreto de Deus, que são dignos de morte os que tais coisas praticam.” (Rom. 1:31, 32, NM) Viverdes fielmente a vida dedicada segundo a vontade de Deus vos assegura a vida eterna no novo mundo.