A expressão do amor
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”—1 Cor 13:13, Almeida margem.
9. Como nos deve afetar a benignidade? Mas como poderíamos abusar da de Deus?
9 AO OBSERVARMOS como o trato afeta as pessoas, notamos que a rudez tende a tornar a maioria das pessoas duras e severas. Mas a benignidade e a gentileza, especialmente onde a justiça fria ou a retribuição poderia exigir outro tratamento, propende a suavizar a pessoa a quem a mostramos. Anima e atrai, e é isto que faz que nos cheguemos a Deus em arrependimento pelos nossos pecados, desejando ser perdoados por meio do sacrifício expiador de seu Filho. Se ouvimos falar do seu arranjo bondoso e ainda continuamos na mundanalidade e desobediência a ele, vangloriamo-nos dele. Poderíamos presumir demais e destarte falhar no propósito do seu arranjo. É aconselhável considerarmos as perguntas como sendo dirigidas a nós: “E, tu, ó homem, que julgas aqueles que fazem tais coisas, e as praticas, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Acaso desprezas as riquezas da sua bondade, da sua paciência, da sua longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitencia?” (Rom. 2:3, 4, Pereira) Visto que o amor de Deus se nos revela desse modo, simplesmente o copiamos quando mostramos a outros bondade em vez de impaciência e rudez.
10. Como teremos êxito em dar-nos bem com os outros de modo proveitoso?
10 Quando o apóstolo instruiu ao jovem Timóteo, que era superintendente duma congregação, no que devia fazer, foi uma instrução para ser bondoso duma maneira que convém a cada um, a saber: “Não repreendas com aspereza ao velho, antes exorta-o como a pai, aos moços, como irmãos, ás mulheres idosas, como a mães; ás moças, como a irmãs, com toda a pureza. Honra as viúvas que são verdadeiramente viúvas.” (1 Tim. 5:1-3) Onde existe verdadeira afeição entre os membros duma família, eles tratam uns aos outros com mansidão, bondade e consideração. Este é o modo que devemos tratar uns aos outros numa congregação cristã, alguns com o mesmo respeito e benignidade como se fossem nossos pais, outras como se fossem nossas mães, outros como se fossem nossos irmãos carnais, e outras como se fossem nossas irmãs canais. Pode ser que nos achemos em contínuo contato íntimo uns com os outros, digamos, num lar de Betel da Sociedade Watch Tower, ou num lar missionário ou de pioneiro, ou num estabelecimento filial, ou numa congregação organizada de cristãos. Mas tal associação e familiaridade íntima não deve criar desprezo mútuo. Não; mas temos de tratar-nos uns aos outros com essa consideração carinhosa se nos desejamos dar bem e ficar juntos no serviço de Deus. Se formos sofredores, pacientes, mansos e benignos, e não exigentes e rudes, nos daremos maravilhosamente com aqueles ao nosso redor. Talvez os outros tenham consigo dificuldade em entender-se conosco, mas faremos esforço em dar-nos bem com eles. Esse procedimento é de nosso proveito, e finalmente nos facilita as coisas.
11. De que não é invejoso o amor, e por que não?
11 O amor é generoso. Não inveja, pois a inveja não é fruto do espírito senão fruto da nossa carne depravada. “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gal. 5:19-21, Almeida) O reino de Deus é um domínio de amor. Não há nele lugar para inveja. O amor se contenta de que Deus coloque as pessoas na sua organização onde ele quer. Não se descontenta por causa da posição, condições ou possessões alheias, desejando-as para si. Não se perturba porque outra pessoa as tem achando que esta não as mereça e esteja fora do seu lugar. Esse bater egoísta do coração principiou com o principal adversário de Deus, Satanás o Diabo, e com ele desapareceu todo o seu amor para com Deus. Ele invejou a posição de Deus e queria ser semelhante a ele, não no amor mas no seu alto lugar e autoridade. O amor não copia o arquiinimigo de Deus.
NAO JACTANCIOSO, INCHADO
12, 13. De que maneiras não se jacta o amor?
12 A pessoa pode realmente ter conseguido alguma coisa no serviço de Deus. Pode ter um recomendável registo de serviço. Pode ter esplêndidas consecuções pessoais e ocupar um posto importante na organização do povo de Deus. Todavia se tiver amor, não se jactará ou blasonará. “O amor não se jacta.” (1 Cor. 13:4, Ver. Norm. Amer.) Não procura granjear o aplauso e admiração das criaturas. Não se levanta perante os demais numa família ou num lar ou numa companhia cristã e se gaba de modo vanglorioso. A pessoa que tem amor não expressa a outros a alta opinião que tem de si própria nem trata de rebaixar outras pessoas que talvez inveje ou despreze. Ele não se jactará porque outro fracassou e agora ele próprio tomou o lugar de favor daquele que o perdeu. Antes, se acautelará com medo de que ele, também, fracasse. (Rom. 11:18) Por meio da jactância talvez possamos persuadir alguns a pensar que realmente sejamos tão grandes quanto pretendemos ser, mas se tivermos amor não nos jactaremos dos nossos méritos. Não importa quão exaltados e entusiasmados formos com as nossas próprias consecuções ou proezas, trataremos de exercer esse fruto do espírito que é a temperança ou domínio de si próprio. Então nos refrearemos de todas as tendências a fanfarrear e nos jactar.
13 A pessoa que tem amor não se gloriará dos líderes humanos que outros seguem e idolatram. (Sal. 97:27) Se tivermos confiança em nós mesmos e nas nossas habilidades, não falaremos de modo jactancioso do que faremos amanhã ou no nosso novo emprego. Refrear-nos-emos, conhecendo que não sabemos o que o dia de amanhã produzirá, de modo que diremos, “Se Deus quiser.” (Pro. 27:1; Luc. 12:19; Tia. 4:13-16) Se de qualquer forma nos gloriarmos, gloriar-nos-emos em Jeová Deus, que é Aquele que executa a sua obra por meio de nós pelo poder do seu espírito. “Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente.” (Sal. 44:8, Almeida) Isto terá melhor efeito sobre todas as pessoas humildes que nos ouvem: “Em Jeová se gloriará a minha alma; ouvirão os humildes, e se alegrarão”—Sal. 34:2.
14, 15. Como não se ensoberbece o amor, consigo mesmo ou com outros, e por que não?
14 Mais uma maneira de o amor proteger a pessoa e conduzir ao procedimento correto é que “não se ensoberbece”. Jamais o verá assumir maneiras afetadas, ostentar-se, apavonar-se, ou comportar-se arrogantemente. A culpa de todo este comportamento errado está na mente. É esta que está inchada. Quando fica assim faz que o seu dono se sinta importante. Tomando-se demasiado a sério, ele está inclinado a tornar-se arrogante e exigir dos outros mais do que deve. Tal comportamento trai uma mente carnal, e não o espírito de Deus. (Col. 2:18) Se o cristão tratar de ser uma nova espécie de pessoa e mostrar amor, ele se revestirá de humildade. Neste estado mental ele se desinchará sabiamente e considerará outros superiores a si mesmo. (Col. 3:12; Fil. 2:3) Fará isso no interesse da união do povo de Deus. Resistirá à tendência de qualquer conhecimento superior a inchá-lo, mas tratará de edificar outros. Ele sabe que Deus não exalta as pessoas inchadas de orgulho, mas os abate e exalta os humildes. (Efé. 4:1-3; 1 Ped. 5:5) Embora a pessoa não se ensoberbeça consigo mesma, ela se pode ensoberbecer de certo líder em contraste com outro.
15 O apóstolo Paulo sabia desta atitude egoísta de alguns em Corinto, e fez esforço de refreá-la, não só porque várias pessoas eram ensoberbecidas a favor de outra pessoa e portanto contra Paulo, mas porque isto era egoísmo e conduzia à desunião. Ele ilustrou como ele e Apolo eram, não líderes, senão servos do verdadeiro Líder Jesus Cristo, daí acrescentou: “Estas coisas, irmãos, eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo por amor de vós, para que em nós aprendais a não ultrapassar o que está escrito, afim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um contra outro. Alguns andam inchados, como se eu não houvesse de ir ter convosco; mas irei brevemente ter convosco, se o Senhor quiser; e conhecerei, não as palavras dos que assim andam inchados, porém o poder.” (1 Cor. 4:6, 18, 19) Não é de estranhar que o apóstolo temia que quando viesse a Corinto acharia entre os professos cristãos inchações, arrogância, presunção, e toda a divisão e desordem que um estado mental inchado pode produzir. Este estado de coisas não seria o de amor, porque o amor conduz à paz e unidade. Mantém juntos os cristãos e os impele a trabalhar juntos e lutar contra o inimigo comum, e não lutar uns contra os outros. É um vínculo perfeito entre os seguidores de Cristo, e portanto Paulo lhes implora que, acima de tudo, se revistam dele. “E acima de tudo isto revesti-vos do amor que une tudo junto em perfeita harmonia”—Col. 3:14, Ver.Norm. Rev. (em inglês).
NÃO RUDE, INTERESSEIRO, IRRITADO, RESSENTIDO
16, 17. Como “não se porta com indecência” o amor?
16 Continuando a sua descrição de como se expressa esta qualidade divina, Paulo diz: “O amor . . . não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal.”—1 Cor. 13:4, 5, Almeida, margem.
17 Diríamos, portanto, que não é rude em nenhum sentido. Quando pessoas cometem abusos sexuais entre si, elas se portam com indecência e certamente serão retribuídas afinal de contas por toda a sua violação da lei da natureza. Do relato de Paulo temos de admitir que havia até certo ponto abusos sexuais na primitiva congregação cristã, e o apóstolo protestou contra isto. Mas para portarmo-nos com indecência para com nossos irmãos ou para com as pessoas de fora, não é necessário que cometamos abusos e imoralidades sexuais. Poderíamos ser rudes, poderíamos ser insolentes, grosseiros, malcriados, descorteses, e isso certamente não seria amoroso para com os outros, não acha? Nas reuniões da congregação bem como depois das reuniões o amor nos moverá a portar-nos duma forma decente e proveitosa. Durante as reuniões evitaremos impedir que os outros se aproveitem cabalmente do que se diz ou demonstra por disturbarmos ou aluarmos de modo barulhento. Não trataremos de atrair indevida atenção a nós próprios e desviar os pensamentos e atenção dos irmãos do dirigente da reunião ou daquele que de direito fala no lugar desse. “Faça-se tudo com decência e ordem,” e isto quer dizer nas reuniões congregacionais e por aqueles na congregação. Que participem na reunião duma maneira ordeira e respeitosa, respondendo às perguntas ou falando e fazendo demonstrações quando chegar a sua vez, a fim de que todos se aproveitem ao máximo da reunião e que o tempo seja empregado de modo útil.—1 Cor. 14:40.
18. Como membros de quê nos trataremos uns aos outros, e por quê?
18 Então, não seremos rudes ou desrespeitosos com ninguém, nem mesmo com o mais fraco ou menos atraente no nosso meio. Seremos uns para com os outros como o são os membros de nossos corpos humanos. Nenhum membro do nosso corpo trata de propósito o outro com abuso ou vergonhosamente. “Mas, pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos, são mais necessários. Os membros, que reputamos menos honrosos, cercamos de maior honra; e os que não são decentes, recatamos com maior decoro; ao passo que os decentes não necessitam disto. E Deus organizou o corpo, dando maior respeito ao que é menos digno, para que não houvesse dissensão no corpo, e os membros tivessem o mesmo cuidado uns pelos outros” (1 Cor. 12:22-25, Negromonte) Tratando assim uns aos outros, faremos que todos se achem à vontade no nosso meio. A qualquer um que seja uma mancha na nossa congregação ou cause embaraço ou vergonha cobriremos benignamente para que o público não se ofenda. Queremos andar de maneira digna para com todos como na plena luz do dia, não tendo nada de que nos envergonhar. Queremos andar com honra perante o público. (Rom. 13:13; 1 Tes. 4:12) É essa qualidade divina que nos desejar comportar-nos de modo digno.
19, 20. Como é que o amor “não busca os seus próprios interesses”, contudo com proveito para si mesmo?
19 Neste assunto de não buscar seus interesses, o amor “nunca é interesseiro”. (Moffatt) Não há, portanto, contradição ao dizer Paulo, em Filipenses 2:4, Almeida: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros,” e em 1 Coríntios 10:24: “Ninguém procure o seu proveito, mas o de outrem.” Se o amor é altruísta, não sempre busca seu próprio bem, mas também procura o bem-estar e edificação dos outros. Deseja que outros ganhem o prêmio da vida e gozem agora as bênçãos espirituais bem como as boas coisas materiais que Deus dá hoje aos que o servem. De modo que o amor procura, não o simples proveito pessoal, mas o do seu próximo também. Se cada qual aplicar isto a si mesmo, não importa onde esteja, onde trabalhe, ou qual a companhia cristã que ele frequenta, ele demonstrará neste sentido amor. Será feliz. Sentirá mais prazer na vida, e o amor que ele demonstra para com outros será correspondido por outras pessoas demonstrarem essa mesma qualidade para com ele.
20 Ele não insistirá com egoísmo nos seus direitos nem na sua vontade. O amor não faz isso. Às vezes sentimos talvez que o nosso método seja melhor ou que tenhamos direitos. Pode ser que haja regras e regulamentos que servem de guia para todos os interessados e esses nos dão certos direitos. Mas o amor pode desistir dos seus direitos sob essas regras e regulamentos a fim de ser benigno ou para não dificultar a continuação da amizade e relações pacíficas. Por que insistir no nosso método se esse método talvez seja impedimento a outros? Por que não se conformar aos costumes locais se isso ajudar os com quem a pessoa está associada? Quando não se tratava dum princípio de justiça, Paulo na sua obra missionária se esforçou em agradar a todo aquele que buscava a verdade, e ele nos diz isso. Não diz, ‘Procuro fazer que todo mundo me agrade.’ Não, mas buscando, não os seus interesses, senão os dos seus ouvintes, ele disse: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço tudo isto por causa das boas novas, para ser também participante das suas bênçãos junto com os demais.” (1 Cor. 9:22, 23, Uma Trad. Amer.) Ele tinha as boas novas, a mensagem da vida, e as levava ao mundo. Para não impedir que as pessoas das várias nacionalidades aceitassem a mensagem, com consideração mantinha afastada a sua vontade e direitos e tratava de agradar aos seus ouvintes. Isto era de proveito em ajudá-los a aceitar a mensagem. Por mostrar destarte amor, ele próprio não seria rejeitado após ter pregado a tantos outros. O amor nos é de proveito, ainda que signifique renunciar a nossa vontade ou direitos a favor dos outros.
21, 22 (a) Como é que o amor “não se irrita”, e por que não? (b) Como é, conforme no caso de Paulo e Barnabé, que o amor “não suspeita mal”?
21 Produzindo esse fruto do espírito, a saber, a temperança ou domínio sobre si mesmo, o amor “não se irrita”. Não é irascível e não fica zangado. Não se aborrece. Gálatas 5:19, 20 diz que a ira é uma das obras da carne decaída. Por isso os pais se acautelarão contra castigar os filhos desobedientes em cólera ou ira violenta, lançando ameaças de espancá-los “a dois dedos da vida!” Quando estamos desequilibrados por causa de cólera ou irritação, mal estamos em condição de atuar com justiça ou misericórdia e fazer a vontade de Deus. É mais provável que sejamos desagradáveis e atuemos sem amor. Termos uma generosa medida do espírito de Deus nos ajudará a não nos apressar em ficar irados para que não sejamos impelidos a fazer o mal. O Seu espírito nos ajudará a produzir esse fruto agradável de mansidão ou moderação. Ele nos ajudará a conservar o respeito e afeição dos outros e a não fazer que nos temam e receiem e reprimam a sua expressão livre e espontânea. Ajudar-nos-á a manter amizades e associações agradáveis. Certa vez Paulo e seu companheiro missionário tiveram um acesso de ira. Barnabé insistiu na sua opinião de que seu primo João Marcos os acompanhasse na viagem missionária projetada, mas Paulo insistiu em levar consigo um homem mais digno de confiança. A contenda entre Paulo e Barnabé se tornou tão violenta que se separaram e foram cada um pelo seu caminho no serviço de Jeová. Quem careceu do amor nessa ocasião o leitor do relato em Atos 15:36-41 pudera verificar por si mesmo, mas foi somente o amor que mais tarde sarou o rompimento de relações entre os dois missionários.
22 Se tivesse existido ressentimento entre Paulo e Barnabé, jamais se teria sarado o rompimento. Mas o amor veio em seu auxílio durante a separação, porque o amor “não suspeita mal”. Não se considera ofendido e por isso guarda essa ofensa como algo que tem de ser resolvido no devido tempo e até então não pode haver relações entre o ofensor e o ofendido. Não fica zangado com a pessoa e daí desabafa esta ira à custa dela, forçando as relações ao ponto de rompimento. Imputarmos motivos maus a outrem é tão fácil às vezes, mas o amor não fará isso em base imprópria. Não imputará maldade a outrem nem o acusará de intenções erradas, mas se inclinará a fazer concessões aos outros e aceitar deles desculpas razoáveis. Dá a outrem o beneficio da dúvida. Por proceder assim, nalguns casos o cristão talvez seja enganado, mas ser enganado por tal motivo não lhe causará dano verdadeiro, porque nesta experiência ele não deixou de progredir na cultivação do amor.
DISPOSTO À JUSTIÇA E À VERDADE
23, 24. De que modos “não se regozija” com a injustiça o amor?
23 Injustiça de toda espécie prevalece dentro da Cristandade e fora dela, e há uma sempre crescente oposição à verdade. Mas o amor não participa nisto de nenhuma forma. Ele “não se regozija com a injustiça, mas regozija-se a verdade”. (1 Cor. 13:6) No conflito entre a injustiça e a justiça ele sempre está do lado da justiça. Satanás o Diabo se regozija com a iniquidade e injustiça. Da mesma maneira o faz esse grande sistema da religião organizada que constitui o “homem do pecado”. Mas não o amor. Ele não sente prazer na injustiça de qualquer espécie, até para com os nossos inimigos e perseguidores. Poderíamos às vezes arregaçar os lábios e dizer: “Oh espero que esse sujeito apanhe!” É verdade, ele fez algo errado e merece castigo. Não há dúvida sobre isto. Mas o verdadeiro amor não se alegrará com qualquer abuso da justiça, qualquer injustiça, para com o malfeitor. Não estamos na organização de Deus para lutar com injustiça contra pessoas. Isso não quer dizer que não se deve seguir a justiça, e quando Jeová Deus permitir que a retribuição venha sabre os seus inimigos reconheceremos a sua justiça. Mas a justiça pode ser temperada com misericórdia.
24 Visto que este foi o método de Deus para conosco, os que nos arrependemos, não nos regozijaremos com a correção que sobrevenha a outrem em castigo. Preferiremos que o castigado perceba a propriedade disso e corrija o seu proceder. Não iremos ao castigado e diremos: ‘Ora, isto não devia ter acontecido. Ele não lhe devia ter falado assim ou o tratado dessa maneira.’ Se o castigado o mereceu, se a maneira do castigo foi segundo as Escrituras, então deixe que o aceite para seu bem. Não comece a comiserar-se dele e ao mesmo tempo criticar e censurar a pessoa que tem a autoridade de fazer a correção. Seria injusto fazer isso, e o amor não o fará, nem criará no castigado o sentimento de ter sido tratado de maneira injusta. Suponhamos que se nos pratique uma injustiça. Bem, o amor suportará o mal antes do que violar as regras do Senhor Deus e fazer injustiça a outrem. Este é o ponto do argumento do apóstolo acerca de litígios entre os membros da organização de Deus: “Já é, sem dúvida, uma falta haver demandas entre vós. Porque não preferis sofrer a injúria? Porque não preferis padecer o prejuízo? Mas sois vós mesmos que injuriais e defraudais, e isto a irmãos!” (1 Cor. 6:7, 8, Negromonte) O peito podia ter sido justo, mas trouxe a organização de Deus perante o público em vitupério. O amor não se regozija com a injustiça e iniquidade quando sofre uma injúria, porque tem presente considerações desinteressadas.
25, 26. Com que se regozija o amor, e como e por quanto tempo?
25 Um dos frutos do espírito é o gozo, portanto o amor é alegre. (Gál. 5:22) Onde, então, acha o seu gozo? Ora, com a verdade, com a justiça. É por este motivo que se regozija com Jeová. porque ele é o Deus vivo e verdadeiro e a Fonte eterna da verdade. Avidamente procura a verdade da Palavra e propósito escrito de Deus. Discernindo a verdade, regozija-se, ainda que a verdade contrarie declarações anteriores que fizemos ou crenças anteriores que tivemos. A fim de compartilhar na vindicação do nome, palavra e soberania de Jeová o amor exporá as mentiras que Satanás o Diabo e seus apaniguados forjaram contra Jeová e seu Cristo. Não acham companhia nos líderes religiosos que pretendem representar a Deus mas espalham mentiras religiosas a Seu respeito e pelejam contra a verdade, no esforço de a impedir e suprimir. —Rom. 1:18.
26 Com o desejo ardente de adquirir e manter a verdade, o amor prova tudo que lhe é profetizado e pregado mas retém unicamente o que é bom. Não aceitará malignamente uma mentira contra outrem, nem fabricará contra outrem uma mentira baseada em evidência circunstancial. Mas se se averiguar e falar a verdade e se isto ferir alguém e ele for castigado por isso, ainda nos alegraremos com essa verdade. Não podemos modificar a Palavra e propósito de Deus, tampouco Deus adaptará a nós a sua Palavra e propósito. Temos de nos acomodar ou sujeitar ao pleno acordo com a sua Palavra e propósito. Estaremos muito ansiosos de fazer isso se tivermos amor, que emana dele. Se fizermos isso, então temos a certeza de gozar a vida, porque junto com a vida temos o amor e temos a verdade e estamos do lado direito. A verdade permanecerá para sempre, de modo que o amor terá eternamente motivo para gozo. Em breve por toda parte triunfará a justiça sobre a injustiça, na vindicação da soberania universal de Jeová, dando-nos ainda mais motivo para nos regozijarmos.
FORTE, CONFIANTE, ESPERANÇOSO
27, 28. Como é que o amor “tudo encobre”, e por que assim agora?
27 Como poderia Satanás o Diabo matá-lo ou derrotá-lo, se, conforme o apóstolo finalmente diz, o amor “tudo encobre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”? (1 Cor. 13:7, Ver. Trin.) Porque o amor é longânimo, o cristão que o cultivar tardará em expor a outros alguém que o injuriou. Ele seguirá a regra estabelecida por Jesus em Mateus 18:15-17 e tratará de resolver a sua dificuldade com o ofensor em particular. Destarte ele não arrasta a ofensa não corrigida perante os representantes da congregação cristã a menos que isso se torne o último recurso. Só então ele o fará porque redundará nos melhores interesses do ofensor. Se não for demasiado séria, ele desculpará a ofensa em amor, não fazendo alarido dela. O amor é gracioso neste sentido: “sabe não fazer caso de faltas.” (Weymouth) Ele desculpará as ofensas. Isto não quer dizer que o amor encobrirá delitos e violações que de direito devem ser relatados aos em autoridade, que deveriam saber algo a respeito disso e tomar ação em benefício de todos na organização. A preocupação pelo bem dos muitos nos moverá a relatar tais coisas aos encarregados.
28 Mas a pessoa que tem amor cuidará em não expor um ofensor à vergonha e desprezo público se o assunto puder ser resolvido dum modo quieto e mais fácil que não causará rejeição e divisão entre os que possam tomar partidos na questão. Provérbios 10:12 (Almeida) diz: “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.” Se a pessoa se arrepender do seu pecado depois de lho termos indicado, e confessar o seu erro e pedir perdão e reparar o dano, por que deveria discutir a ofensa com outrem? Por que tagarelar ou escrever cartas a respeito disso? O amor não o fará. Mostrará assim que o seu perdão é genuíno, que ocultou o assunto completamente assim como Deus o fez. Já que chegamos ao fim deste mundo, exorta-se-nos especialmente que sigamos este rumo pacífico: “já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração. Mas, sobretudo, tendo ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”—1 Ped. 4:7, 8, Almeida, margem.
29, 30. Como é que o amor “tudo crê”? De que maneira aceita tudo?
29 Mas torna-nos isso crédulos, aceitando tudo que todo mundo diz, já que o apóstolo diz, o amor “tudo crê”? Não, mas nos faz aceitar a verdade ainda que soe mais estranha do que a ficção ou todo o mundo incrédulo mofe dela. Crer significa ter fé, e a fé é um fruto do espírito de Deus. De modo que crê tudo que Deus diz na sua Palavra, ainda que talvez não possamos compreendê-lo e pareça impossível porque atualmente não sabemos todos os fatos e não temos explicação científica disso. O amor prova os espíritos ou proferimentos inspirados, e crê àqueles que estão em harmonia com Deus porque se acham em harmonia com a sua Palavra escrita. Não se assemelha aos israelitas fora do Egito no deserto. Os doze espiões enviados por Moisés regressaram da sua viagem pela Terra Prometida. Dez deles apresentaram um relatório falso respeito às possibilidades de tirar a terra dos seus ocupantes pagãos. Os israelitas creram a esta maioria dos espiões e se entregaram a temores e rebelião. Mas Josué e Caleb deram um relatório fiel e verdadeiro e instaram com eles que tivessem fé em Deus e na sua capacidade de lhes dar a terra. À face do relatório da maioria isto parecia impossível aos israelitas. Portanto recusaram crer a Josué e Caleb. Isto provou que não amaram a Deus, porque recusaram crer na sua capacidade de subjugar-lhes os inimigos na terra e de cumprir o seu concerto de dar-lhes a terra. Não amaram os que falavam a verdade, e por conseguinte deixaram de aceitar a verdade e de atingir a terra prometida. (Núm. 13:1 a 14:12) O amor não possui coração incrédulo.
30 Naturalmente, não engole tudo que se prega e profetiza, porque sabe que o inimigo Satanás o Diabo enviou pessoas falsas ao mundo para enganar. De modo que fortalece os cristãos contra a credulidade mandando-lhes a Palavra de Deus para provar tudo por esta norma inspirada e infalível da verdade. O amor se regozija com a verdade. Crê tudo na Palavra de Deus porque esta é a verdade. Se não cresse tudo o que está nessa Palavra, não a usaria por suprema autoridade em determinar o que é a verdade. Quando Paulo pregou a Palavra aos sinceros bereanos nos tempos antigos, estes revelaram que tinham uma qualidade sensata de amor, porquanto “de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles.” (Atos 17:11, 12, Almeida) De forma que tudo que nos vier hoje mediante a organização teocrática de Jeová e que se basear sobre a sua Palavra da verdade amorosamente creremos.
31. De que maneiras é que o amor “tudo espera”?
31 A crença ou fé é a substância ou base das coisas esperadas. De modo que, assim como crê tudo, o amor também “tudo espera”. Isto inclui tudo que Deus prometeu na sua Palavra e que está em harmonia com aquilo que ele prometeu. Por isso as nossas esperanças não são falsas. Neste sentido a nossa esperança serve de capacete para a nossa cabeça ou mente. (1 Tes. 5:8) Temos razão quanto ao que desejamos e esperamos, em primeiro lugar o reino de Deus por Cristo Jesus, que vindicará o seu nome e soberania e abençoará todos os homens de boa vontade. Portanto, essa esperança jamais nos desapontará e envergonhará. Enche-nos de confiança, de gozo, e nos sustenta. Faz que esperemos com paciência pelos frutos, ao passo que continuamos na obra de pregar a verdade. O amor nos impele a declarar a outros a razão da esperança que há em nós com mansidão e temor, e nos faz esperar o melhor para todas as prezadas pessoas semelhantes a ovelhas que achamos e que dão ouvidos à nossa mensagem da verdade. Lutamos contra tornar-nos impacientes com elas, ao passo que desejamos e esperamos o melhor para os que estão fracos na fé. (Heb. 3:6; Rom. 12:12; 1 Ped. 3:15) Destarte as nossas esperanças não nos induzem à ação egoísta, pois tudo que desejamos e esperamos é aquilo de que o amor se apodera com confiança.
32. Como é que o amor “tudo sofre”, e por quê?
32 Assim fortalecido e sustentado pela alegria, fé e esperança, o amor “tudo sofre”. De forma que se requer o amor para mantermos a nossa integridade para com Jeová Deus, porque o teste da integridade a ele é a perseverança. Desde que suporta tudo, não há nada que o Diabo possa fazer para provar a firmeza da nossa devoção e fidelidade a Deus que o amor não suportará, desse modo mantendo-nos firmes para com Deus. A tribulação, um grande combate de aflições, a crucificação, a contradição dos pecadores, o castigo de Deus, a tentação do Diabo, as dificuldades e privações, o padecimento injusto por amor da consciência, tudo isto a Bíblia menciona que o amor suportará. Ele é inderrotável. Só por meio dele se pode ganhar a vida eterna de Deus por Cristo, porque ele satisfaz todos os requisitos de Deus. A fim de que o expressemos para todo o sempre, Deus nos dará o poder da vida eterna.