Sensação no inferno
1. Que mostra o cântico de escárnio quanto a estar Satanás no inferno?
OS RELIGIONISTAS da Cristandade acham que a alma humana é imortal e que Satanás o Diabo, que existiu todos estes milhares de anos, é também imortal. O estado da morte nunca o reclamará, pensam eles. As palavras Seol e Hades na Bíblia original eles traduzem pela palavra portuguesa inferno. Interpretam-na a significar um lugar de tormento ardente de fogo para as almas humanas conscientes, e ensinam que Satanás esteve no Seol ou Hades para superintender este lugar diabólico de tortura. Mas o cântico de escárnio dirigido ao rei de Babilônia mostra que o Diabo jamais esteve lá, mas que, ao morrer ele, causará uma agitação e uma sensação. O “dito” ou cântico de escárnio diz ao rei da Babilônia ao ser cortado: “O Seol lá embaixo está por tua causa turbado, para te encontrar na tua vinda, por tua causa desperta Refaim, todos os principais da terra, e faz levantar-se dos seus tronos a todos os reis das nações. Todos eles respondem e te dizem: Também tu estás fraco como nós? Tornaste-te semelhante a nós? Abatida esta até o Seol a tua pompa, o som das tuas harpas, debaixo de ti estendem-se os gusanos, sim, e os bichos te servem de coberta”—Isa. 14:9-14, Young; Ver. Bras; Ver. Nor. Amer.
2. Que mostra com respeito ao inferno o despertar de Refaim?
2 Esse inspirado cântico de escárnio não soa como a teologia da Cristandade que ensina que o inferno (Seol, Hades) é um lugar para atormentar almas humanas imortais, todas em movimento ao se contorcerem em agonia e todos enchendo o lugar de gritos de dor. Tal ensinamento é inspirado pelo Diabo. Mas o cântico de escárnio é inspirado pelo espírito de Deus e descreve o inferno (Seol, Hades) como sendo um lugar de sossego, inatividade e sono, em que os gusanos se contorcem e os vermes deslizam. Todo sossegado até então, é a chegada de tal personalidade desusada como o “rei de Babilônia” que excita todo o inferno (Seol, Hades). O inferno tem sido o leito para dormir de todos os principais, heróis, e líderes caprinos da terra, mas por ocasião desse acontecimento inaudito o inferno os acorda do sono para notarem o que está sucedendo. “Por tua causa desperta Refaim.” (Young) Certas traduções vertem esta palavra hebraica “Refaim” por “os mortos” (Almeida) ou por “os defuntos” (Ver. Trin.). É apropriar-se da mitologia pagã traduzir a palavra “as sombras.” (Ver. Bras.) Uma palavra semelhante a esta em forma quer dizer “gigantes.” (Soares; Figueiredo; LXX ) Mas segundo o Hebrew and Chaldee Lexicon por Benj. Davies, a palavra hebraica “Rephaim” em Isaias 14:9 significa “os relaxados ou enfraquecidos, os defuntos ou mortos.” Na ressurreição a terra os lançará de si, diz Isaías 26:19. Visto que os que estão no Seol estão mortos, não é de admirar que a Versão Trinitária verte “Seol” em “a sepultura” em Isaías 14:11, ainda que vertesse a mesmíssima palavra “Seol” nos versículos 9, 15 em “inferno”. De qualquer maneira, isto mostra que inferno (Seol, Hades) quer dizer o estado da sepultura.
3. Que perguntas surgem relativo a Satanás o Diabo e ao inferno?
3 Alguns estudantes da Bíblia notarão que as pessoas que estão no inferno (Seol, Hades) podem sair mediante uma ressurreição dos mortos, e como é, então, que o Diabo vai ao inferno (Seol, Hades)? Ele terá uma ressurreição? Não prova Apocalipse 20:1-3, 10, 14 que ele será restrito no abismo durante os mil anos do reinado de Cristo? Depois disto não será ele solto por um pouco de tempo e daí lançado, não no inferno (Hades), mas no lago de fogo e enxofre, que simboliza a “segunda morte”? Respondemos que a Bíblia não se contradiz no seu ensino sobre o destino do Diabo.
4. Que lhe dirão os reis no inferno, e como assim?
4 Devemos ter presente que este cântico de escárnio de Isaias, capítulo 14, é um “dito”, “parábola,” analogia ou semelhança (versículo 4). Dirige-se, não ao próprio Satanás o Diabo, mas diretamente a seu servo o “rei de Babilônia” que era homem. Portanto, o cântico de escárnio parabólico fala em termos que se aplicam ao rei humano de Babilônia. No primeiro cumprimento em miniatura do cântico o rei de Babilônia (ou a sucessão de homens que desempenhavam essa função) foram, sim, ao inferno bíblico, o túmulo da humanidade. Mas isto não diz que Satanás o Diabo irá ao inferno, Seol, Hades, ou uma sepultura terrestre com seus gusanos e bichos. Não; mas se usa a profecia e seu antigo cumprimento sobre o rei humano literal de Babilônia por parábola, símile, ou semelhança do que acontecerá ao rei invisível da Babilônia Maior, Satanás o Diabo. Ele, também, será rebaixado finalmente ao estado de morte, embora não no nosso inferno terrestre, a sepultura da humanidade, os gusanos se retorcendo-se debaixo dele e os bichos formando a sua coberta. É porque o cântico de escárnio é uma parábola, na qual se usam às vezes símbolos ao invés de realidades, que os reis mortos das nações são representados como sentados sobre os seus tronos nos sepulcros e revivificados, e como dizendo ao recém-chegado rei de Babilônia: “Também tu te tornaste fraco como nós, feito semelhante a nós!” (Uma Trad. Amer., Mofatt) Os mortos no inferno bíblico estão fracos e não podem levar consigo os seus reinos. Da mesma maneira, também, Satanás o Diabo se tornará fraco na morte e não poderá levar consigo o poder da sua organização babilônica. Para causar a destruição de Satanás Jesus Cristo sofreu a morte como homem: “para pela morte destruir aquele que tinha o poder da morte, isto é, ao Diabo”—Heb. 2:14.
QUE QUEDA!
5, 6. Como e onde se tornou o rei de Babilônia o “radiante”?
5 Em seguida, a parábola mofa do rei de Babilônia pelo fracasso ignominioso de seu plano favorito, sua ambição exaltada: “Como caíste do céu, ó estrela radiante, filho da alva! como estás cortado até á terra, tu que abatias as nações! Tu dizias no teu coração: Subirei ao céu, exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus e sentar-me-ei no monte da congregação nas extremidades do Norte. Subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.”—Isa. 14:12-14.
6 O rei de Babilônia jamais fazia parte da organização de Jeová mas destruiu a Jerusalém em 607 A.C., todavia o cântico de escárnio o chama de “estrela radiante, filho da alva”. Não foi na organização teocrática de Jeová que o rei de Babilônia foi ou se tornou tal. Como se tornou assim, e onde? Por esmagar outras nações, mormente Israel, a nação de Jeová. No prosseguimento da sua ambição de dominação mundial o rei de Babilônia, sobretudo na pessoa de Nabucodonosor, se serviu do seu poder militar para esmagar uma nação após outra. A profecia de Jeremias, capítulo 25, descreve as nações que Nabucodonosor abateu na sua carreira de conquista. Jeová usava Nabucodonosor sem este o saber, contudo o rei de Babilônia realmente buscava estas conquistas para servir seu deus, Satanás, e executava a ambição deste. Ascendendo desse modo à posição culminante na terra o rei de Babilônia se tornou semelhante à estrela da alva, Versus, que depois do sol e da lua é o corpo mais brilhante nos nossos céus. Aos olhos das nações da terra o rei de Babilônia se tornou a “estrela radiante, filho da alva”. Reinou na sua “cidade dourada”, Babilônia, a qual ele fez a “gloria dos reinos, e beleza do orgulho dos Caldeus.” (Isa. 13:19) Sentiu-se grandemente exaltado, no tipo do mundo.
7. Como se traduz de várias maneiras “Heylel”? A quem se aplica?
7 Na Bíblia hebraica original a palavra traduzida “estrela radiante” é “Heylél”.a Na tradução mais antiga da Bíblia, a Versão dos Setenta em grego (LX X) do terceiro século A.C., “Heylél” é traduzido “Heosphóros”, significando “portador da alva” (ou, “Phosphóros”, significando “portador da luz”), nome este que se aplicava ao planeta maior Venus. Sem dúvida, por este motivo algumas traduções de Isaías 14:12 dizem: “Como caíste do céu, ó estrela da alva, filho da manhã!” “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva!” (Uma Trad. Amer; Almeida) É a Versão Vulgata latina que traduziu a palavra hebraica por “Lúcifer” (significando “Portador de luz”) e foi daí que algumas traduções portuguesas adotaram o nome. Nas interpretações da Bíblia do terceiro século em diante este nome “Lúcifer” foi aplicado ao Diabo. Aplica-se a ele, vista ser simbolizado pelo rei de Babilônia. Vimos acima como o nome veio a ser aplicado ao rei humano de Babilônia. Como, então, veio a ser aplicado a Satanás o Diabo?
8, 9. O que foi o “monte da congregação” no qual ele se desejava assentar? Por quê?
8 Após o dilúvio global do dia de Noé Satanás o Diabo usou o poderoso caçador Nimrod para instituir o primeiro reino humano, com a sua capital em Babel ou Babilônia. (Gên. 10:8-10) Muitos séculos mais tarde David, rei dos israelitas, capturou a cidade de Jerusalém na Terra Prometida e fê-la a capital real, tanto para ele como para Jeová Deus. Edificou seu palácio sobre o monte Sião. Ele trouxe a arca sagrada do concerto de Jeová para lá e fez os arranjos para seu filho Salomão edificar um templo para ela num outeiro ao norte do monte Sião. A ambição de Satanás o Diabo era a de ser o deus de toda parte da terra. Naturalmente ele invejava Jerusalém ou Sião como centro da adoração de Jeová. De modo que ele resolveu destruí-la. Já que Jeová se dignara de pôr o seu nome ali, então se Satanás destruísse a cidade do nome e da adoração de Jeová, pareceria provar que ele era igual a Jeová Deus ou, antes, mais poderoso. Também traria vitupério infinito sobre o nome de Jeová. O monte no qual ficava o templo era o monte de congregação, aliás o lugar elevado em que Jeová o Altíssimo se reunia com seu povo escolhido, por intermédio do sumo sacerdote de Israel. Os cantores do templo cantavam da cidade, dizendo: “De bela e alta situação, alegria da terra toda, é o monte de Sião aos lados do norte, cidade do grande Rei.” (Sal. 48:2) Portanto foi um ataque contra Jerusalém, onde se achava o templo, que Satanás tencionou ao falar pelo rei ambicioso de Babilônia e dizer : “Subirei ao céu, exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus e sentar-me-ei no monte da congregação nas extremidades do Norte. Subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.”—Isaías 14:13, 14.
9 Claro, o assalto e desolação de Jerusalém e do seu templo foi meramente um símbolo da ambição mais exaltada de Satanás contra Jeová Deus e a própria resistência celestial dele. A destruição de Jerusalém era um passo largo nessa direção.
10. Como exaltou o rei da Babilônia o seu trono acima das estrelas de Deus?
10 Na Bíblia “estrela” é símbolo dum príncipe glorioso, como quando o profeta Balãao disse: “De Jacob nascerá uma estrela, e de Israel se levantará um cetro.” (Núm. 24:17) Os reis de Jerusalém, a começar com David, assentavam-se no “trono de Jeová” com representantes do Altíssimo, portanto se assemelhavam a “estrelas de Deus.” (1 Crô. 29:23) Mas tais reis da linhagem de David eram meramente precursores do grande Rei de Jeová, Jesus Cristo o Filho de David. Ressuscitado dos mortos e glorificado no céu, Jesus disse: “Eu sou a raiz e a geração de David, a estrela brilhante, e da manhã.” Ele prometeu fazer seus fiéis seguidores ungidos semelhantes à estrela da manhã do reino de Deus, dizendo-lhes: “Ao vencedor, e ao que guarda as minhas obras até o fim, lhe darei autoridade sobre as nações . . . Eu lhe darei a estrela da manhã.” (Apo. 22:16; 2:26-28) De modo que, quando o rei de Babilônia, que simbolizava seu deus Satanás o Diabo, capturou o rei da linhagem de David e destruiu a cidade capital de Jerusalém, ele julgou que tinha subido ao céu num assalto contra Jeová. Achou que tinha exaltado o seu trono acima das estrelas de Deus. Cuidou que tinha frustrado o propósito de Jeová produzir o Messias, a verdadeira “Estrela de Jacó”, e todas as suas estrelas associadas. Tinha também invadido o monte do templo, o típico Monte da Congregação de Jeová nos lados do norte. Tinha desafiado a Jeová Deus e demonstrado ser igual a Ele. Deste modo, em 607 E.C., a Teocracia típica de Jeová sobre os israelitas foi transtornada como reino independente, e nessa ocasião começaram os “sete tempos” da dominação global dos gentios.
11. Quando e como e tornou Satanás o “deus deste mundo”?
11 O derrubamento do rei de Jerusalém e a destruição dessa cidade engrandeceu o prestígio do rei de Babilônia aos olhos de todas as nações gentias. Ele se tinha exaltado, como se fosse, ao céu “acima das alturas das nuvens.” Mas fez isso só para ser abatido até o inferno (Seol, Hades) por tal comportamento nefário. Justamente como Jesus disse da cidade galiléia que tinha sido favorecida tão altamente por ele na sua obra: “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até o céu? descerás até o Hades.” (Mat. 11:23) Nesse lugar exaltadíssimo o rei de Babilônia resplandeceu com glória mundial com a estrela da manhã, “radiante, filho da alva”. Mas em tudo isso o rei terrestre de Babilônia refletia seu deus, Satanás, o rei invisível da Babilônia Maior. Permitindo que Jerusalém fosse destruída, Jeová Deus realmente executava seu próprio julgamento sobre o Israel infiel; mas o Diabo tomou a si o crédito pela destruição e se jactou contra Jeová Deus com grande alegria. Exatamente a que ponto a aparente vitória de Satanás sobre a organização teocrática típica de Jeová afetou os santos anjos do céu não sabemos, porém dessa maneira ele se provou deus poderoso à sua própria organização, visível e invisível. Servindo-se de Nabucodonosor para derrubar a Jerusalém e seu rei, Satanás o Diabo se constituiu “deus deste mundo.” Jesus também o chamou de “príncipe deste mundo”. (2 Cor. 4:4; João 12:31) Como ele brilha feito estrela no mundo dele !
[Nota de Rodapé]
a A mesmíssima palavra ocorre em Ezequiel 21:12, mas lá é a forma imperativa do verbo ‘uivar’. De modo que alguns argumentam que significa ‘uivar’ em Isaías 14:12.